Bailarinos respondem à secretária da cultura
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 16 de março de 1999
Simone Mattos 
O corpo de balé do Teatro Guaíra e o Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversões no Estado do Paraná (Sated/PR), representados por Eleonora Greca e Grazianni Branco da Costa, respectivamente, enviaram cartas de protesto à redação da Folha. Eles discordam das afirmações feitas pela secretária de Estado da Cultura, Lúcia Camargo, sobre o Balé Teatro Guaíra, em matéria publicada na semana passada.
Às vésperas do Ballet Guaíra completar 30 anos e sem diretoria artística desde outubro, os bailarinos demonstram insatisfação com os salários e condições de trabalho e pedem por uma maior valorização da companhia.
Na matéria, a secretária comentou, por exemplo, que não existem mais companhias de dança com mais de 50 bailarinos, o que é uma das reivindicações do Corpo de Baile, que perdeu 50% do seu elenco nos últimos dez anos e hoje conta com 26 bailarinos.
Na carta enviada pela companhia, Eleonora discorda, dizendo que existem várias companhias com mais de 50 bailarinos no Brasil e no exterior. Como exemplo, ela cita o Ballet Municipal do Rio de Janeiro e o balé do Teatro Cólon, de Buenos Aires.
Sobre as comparações feitas pela secretária entre o balé do Teatro Guaíra e o Grupo Corpo, de Belo Horizonte, os bailarinos rebatem dizendo que não há termos de comparação, já que o Guaíra é uma autarquia e o Grupo Corpo é uma empresa privada.
Mesmo assim, eles comentam que, 2/3 das apresentações do Grupo Corpo acontecem fora da cidade original do grupo, o que permite que outros públicos, como os próprios curitibanos, conheçam o seu trabalho. A reivindicação dos bailarinos é de que o balé do Teatro Guaíra não cumpre mais temporadas externas, resumindo suas apresentações à Curitiba.
Na carta de protesto, Eleonora comenta ainda que é importante abrir mercados de trabalho sem que para isso se tenha que fechar ou sacrificar outros. Ela comenta que o único desejo do grupo é a melhoria das condições de trabalho, para que se volte a produzir com a mesma qualidade de antes, gozando do mesmo prestígio.
Os bailarinos encerram o documento de protesto afirmando que a Secretaria da Cultura não deve se ater apenas à atual geração de bailarinos, mas que também não deve esquecê-la ou negligenciá-la. Só se respeitamos o passado, bem gerenciando e promovendo o presente e planejando o futuro, é que se pode aspirar à concretização de um ideal de vida, que é o de legar à comunidade um patromônio digno de respeito e admiração.
A companhia aproveitou a carta para convidar a secretária para uma conversa, onde haveria uma afinação de ideais e projetos, visando valorizar o Balé do Teatro Guaíra.


