Ofelia, a videoinstalação interativa que encerra a programação do ''Debandada'', vai contar com a presença do dançarino Anderson Casagrande, personagem principal do vídeo. Debandada é o evento que desde terça-feira tem reunido público e participantes do workshop do projeto Rumos Itaú Artes Plásticas para apreciar a arte produzida na cidade. A programação inaugurou ao público a nova casa da Divisão de Artes Plásticas.
A atração de hoje baseia-se em uma videoarte feita por uma cineasta japonesa a partir da apresentação feita por Casagrande no Estúdio Kazuo Ohno, no Japão. A obra ficará disponível ao público das 18h30 às 21h30, na Casa de Cultura da UEL - Divisão de Artes Plásticas (Av. JK, 1973).
Londrinense radicado na Alemanha (e de férias na cidade), Casagrande já trabalhou com dois dos mais expoentes nomes da dança contemporânea mundial: Kazuo Ohno e Pina Bausch. Com Pina Bausch, passou quatro anos desenvolvendo a Sagração da Primavera, uma das grandes obras dessa alemã que revolucionou a dança. Já com Ohno e seu filho Yoshito ele passou três intensos meses, com uma bolsa concedida pelo governo alemão. Parte do resultado desse trabalho é que pode ser conferida no vídeo inédito que será exibido na Casa de Cultura.
O dançarino começou suas aulas como bolsista na Oficina de Dança, precursora da Funcart. Embora também tenha integrado o extinto grupo de teatro Corpo e Cara, a dança é que o envolveu. ''Eu era um óvulo, até o momento em que percebi que poderia me expandir, unir o estado ovular ao social. Então eu soube que meu papel só seria completo se me dedicasse socialmente à dança e não somente organicamente - porque o nascimento é uma dança. O desafio é como fazer esse segundo nascimento'', define.
Aos 17 anos, já integrava o corpo do Teatro Guaíra. Cinco anos depois mudou-se para a França. Lá, passou dois anos aprofundando seus estudos em estilos e teorias, por meio do Centro Nacional de Dança Contemporânea. ''Estudava desde anatomia à história da arte e dança clássica, além de aprender danças folclóricas de diversos países. Lá, senti que era o expressionismo o que eu queria, tanto alemão quanto japonês'', relata.
Com essa linha definida, Casagrande foi para Folkwang, o berço do expressionismo alemão, trabalhar com Pina. Sua inquietude falou mais alto, e ele partiu então em busca de novos rumos, tornando-se independente (embora atuasse algumas vezes com o coreógrafo Mark Sieczkarek). A oportunidade de conviver com Ohno, grande mestre e um dos fundadores do Butoh, veio em 2006, e seu espetáculo fez parte das comemorações do centenário do mestre.
Essas duas experiências foram-lhe tão transcendentais que o dançarino não consegue referir-se a elas no tempo passado. ''Não foi, sempre é. São seres do expressionismo que trazem uma herança ancestral. A dança já era universal, só o cenário mudou'', comenta.
Quando retornar para Colonia, na Alemanha, na próxima semana, Casagrande vai embarcar em um projeto ainda mais pessoal. ''Chegou a hora de abrir as portas que dão para dentro, evoluir também por outros sentidos'', revela. E o que emergir dessa busca interior com certeza deve resultar em dança. ''A dança é infinita. Não tem um começo, não tem um fim''.

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