Bailarinas da cidade vão para Mônaco
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terça-feira, 04 de maio de 1999
Simone Mattos 
O sonho de qualquer bailarina brasileira foi conquistado por duas curitibanas. Ariane Gonçalves e Laís da Costa, depois de muito esforço e persistência, conseguiram o que parecia impossível. Entre milhares de candidatas de todo o mundo, elas foram aceitas pelas escolas do Ballet Russo de Mônaco, pela filial do Ballet Kirov em Washington (EUA) e pelo Ballet da Escola Nacional da Áustria. Elas partem para a Europa no próximo mês.
As bailarinas optaram pela filial do Ballet Russo. Segundo a diretora da escola curitibana Ballet Coppélia, Agnalda Trinkel Miranda, que treinou as meninas nos últimos cinco meses, elas escolheram Mônaco porque lá poderão fazer carreira.
E foi exatamente este motivo que fez com que as bailarinas decidissem deixar o Brasil. Eu tomei a decisão de ir embora quando comecei a perceber que aqui as platéias estão sempre vazias nos espetáculos de balé, comenta Ariane, 13 anos. Outros países colocam a dança no topo, enquanto no Brasil os bailarinos não são valorizados e não têm futuro algum, afirma ela.
Laís concorda e diz que o balé têm um valor muito diferente na Europa. Aos 18 anos de idade, ela explica que pretende alcançar uma grande companhia na Europa. Não vou parar por aqui, garante. Laís já está na fila de espera para ingressar no corpo de baile do Ballet Kirov.
A experiência da carreira de 41 anos da bailarina Agnalda foi repassada para as alunas, num treinamento individual que consumiu cerca de oito horas diárias, desde novembro. Elas dançavam há cinco anos na escola do Teatro Guaíra, quando se sentiram insatisfeitas e resolveram procurar uma nova professora, que as treinasse para disputar uma vaga na Europa.
Agora não pensamos em voltar para o Brasil, explicam. Elas terão direito a uma fase de adaptação escolar e pessoal em Mônaco, que deverá durar dois meses. Neste período, Agnalda estará acompanhando as alunas. A rotina de treinos e aulas terá início apenas em setembro.
Confiante, a professora afirma com orgulho que Ariane e Laís têm tudo para ingressar num corpo de baile europeu. Ela comemora o fato como uma vitória para a cultura paranaense e também como o máximo reconhecimento pessoal das meninas Meu único medo é que elas sintam muita saudade do Brasil, confessa Agnalda.
As bailarinas dizem, entretanto, que não há nenhuma possibilidade de voltarem por este motivo. Elas comentam que as suas famílias estão dando total apoio à viagem. Vamos ter saudade, mas isto às vezes é muito bom, diz Laís.


