Neste ano, a Mostra Sesi de Artes Cênicas rompe, infelizmente, com uma iniciativa que marcou suas duas primeiras edições: trazer para SP os grupos folclóricos de dança de diferentes regiões brasileiras. Em 1996, a mostra apresentou o excelente trabalho do grupo Tropeiros da Borborema, sediado em Campina Grande, na Paraíba. No ano passado, foi a vez do Balé Folclórico do Recife.
Entretanto, a mostra se mantém fora dos padrões ao convidar, para sua terceira edição, o grupo Edisca, de Fortaleza, cujo diferencial é trabalhar com meninas da população carente.
Fundado em 1991, o Edisca ( Escola de Dança e Integração Social para Criança e Adolescente) merece ser conhecido e apoiado. Sob direção da bailarina Dora Andrade, reúne 37 meninas, tidas como as melhores entre as 270 que hoje frequentam a escola.
Na temporada que realiza no Teatro Popular do Sesi, o Edisca apresenta o espetáculo: ‘‘Koi-Guera’’, expressão que em tupi-guarani significa ‘‘o que será morto’’. Usando adereços autênticos, cedidos pela Funai (Fundação Nacional do Índio), as bailarinas interpretam o genocídio praticado contra a população indígena brasileira.
Durante o processo de criação do espetáculo, o grupo visitou a comunidade de índios tapebas que vive em Caucaia, município próximo a Fortaleza. Inicialmente uma fonte de pesquisa, o contato se transformou numa experiência chocante.
Vivendo em condições sub-humanas, a tribo parecia uma favela. Por isso, o Edisca destinou aos tapebas a renda de bilheteria da estréia do espetáculo, que ocorreu dois anos atrás, no Theatro José de Alencar, de Fortaleza. ‘‘Koi-Guera’’ fala de nossas origens e denuncia nossa omissão com os povos indígenas’’, disse Dora Andrade.

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