Bailarina mostra o encanto da dança afro
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quarta-feira, 14 de agosto de 2002
Jackeline Seglin<br> Reportagem Local 
A bailarina e coreógrafa Sandra Mascarenhas está em Londrina pela terceira vez para dar um curso baseado na Dança dos Orixás e na dança africana bugarabu. O curso será realizado de amanhã a domingo, na Escola Municipal de Dança/Funcart, numa promoção do Núcleo de Estudos Afro-Asiáticos da Universidade Estadual de Londrina.
Sandra Mascarenhas é sul-matogrossense e morou em Londrina dos cinco aos 22 anos. Mas o início de seus estudos em dança foi em Salvador, em 1979. Na Universidade da Bahia, Sandra Mascarenhas estudou o movimento através de técnicas de dança: forma, espaço, ritmo, improvisação, força, intensidade, para depois especializar-se em dança afro-brasileira. ''Estudei a qualidade do movimento nas diferentes danças, como base para a minha pesquisa. Descobri a minha linha da consciência corporal junto à dança dos orixás (divindades do candomblé), a dança afro-brasileira'', conta.
O interesse pelas raízes da dança afro foi ressaltado com o contato da bailarina com o músico e dançarino senegalês Ba Mamour, radicado em Belo Horizonte. Sandra Mascarenhas levou sua pesquisa para Florianópolis (SC), onde criou sua própria companhia de dança, o Grupo Omalagô nome que a bailarina divulga nas várias cidades em que desenvolve seu trabalho.
Depois da experiência de sete anos no litoral catarinense, Sandra Mascaranhas radicou-se na Holanda. Participou de projetos no Museu dos Trópicos de Amsterdã realizando workshops sobre os orixás e a antropologia da dança. Há sete anos na Europa, ela trabalha com o músico Fayee Diona, de Gâmbia. ''Damos aulas de bugarabu e dança afro-brasileira''.
Bugarabu é uma dança de tribo (do sul do Senegal e parte da Gâmbia). O termo também é usado para o instrumento de percussão, tocado por pouquíssimos no mundo. Sandra diz que, de acordo com Fayee Diona, se tiver quatro pessoas com esta prática é muito. O instrumento lembra uma espécie de atabaque afro-americano, só que maior. É formado por quatro tambores e um sino preso à mão. O bugarabu tem ainda um sentido de meditação (como um mantra no Yoga).
A brasileira também incursionou pela ISTA (Escola Internacional de Antropologia Teatral), de Eugênio Barba/Odin Teatret. Em 1994, teve uma experiência na primeira sessão da escola no Brasil, realizada em Londrina. Depois viajou para a Suécia para um novo encontro da ISTA. Sandra Mascarenhas acompanhou ainda o trabalho do Odin Teatret em Hostelbro, na Dinamarca.
''A antropologia teatral tem um laço com o meu trabalho porque estuda o comportamento cênico das culturas tradicionais. Para mim, não importa executar um movimento mecanicamente; importa sentir e saber o que estou fazendo'', comenta.
Com 24 anos de profissão, Sandra Mascarenhas estudou outras danças africanas no Senegal, Guiné e Gâmbia, o que contribuiu para o aprofundamento de sua pesquisa. No Brasil, ela regularmente ministra workshops de dança afro-brasileira e africana, estabelecendo um intercâmbio cultural e um reconhecimento das raízes africanas na cultura brasileira. ''É uma pena que, na Bahia, a dança afro esteja adquirindo uma característica muito próxima da dança moderna. Com isso se perde o jinka (suingue natural) da dança afro, que precisa ser resgatado''.
Depois de Londrina, Sandra Mascarenhas viaja para o interior de São Paulo, onde fará uma palestra/demonstração em São Roque, acompanhada do baterista Duda Neves. No Nordeste, ela vai ministrar workshops em Salvador e Fortaleza.
Serviço:
Curso de dança afro Dança do Bugarabu, com a coreógrafa e bailarina Sandra Mascarenhas. Amanhã, das 19 às 22 horas, sábado e domingo, das 15 às 18 horas, na Escola Municipal de Dança/Funcart (Rua Souza Naves, 2380), em Londrina. Taxa: R$ 50,00. Vagas limitadas. Promoção: Núcleo de Estudos Afro-Asiáticos da UEL. Informações e inscrições: (43) 371-4599 ou 323-8370.


