Muita expectativa para pouca encenação. Foi dessa forma que o público londrinense se despediu do Filo 2001, com o SSmola Teatre, da Espanha, e o espetáculo ‘‘Bailamos?’. O SSmola vive uma situação limite com seu potencial criativo. Com esse espetáculo, caracterizado pelo grupo como problemático, literalmente, os espanhóis erraram no compasso da encenação. O grupo atravessou o Atlântico, colocou um carro no palco do Cine-Teatro Ouro Verde, e inflou o público do festival com expectativas de um espetáculo inesquecível. Frustrou a todos e teve em troca aplausos frios e burocráticos.
A platéia exigente esperava uma encenação à altura do pedestal em que o SSmola aportou na cidade. Esperava-se muito além dos efeitos especiais da grife espanhola, que carimba o passaporte nos mais renomados festivais de teatro do planeta. No Filo 2001 ficou explícito que perambular por festivais de teatro não é necessariamente referência de bom teatro. Os méritos de ‘‘Bailamos?’’ se restringem à cenografia realista concebida por Fina Solà e Juan Grau e a iluminação correta de Ignasi Camprodón, mas terminam por aí. Enfim, o espetáculo foi um presente bem embrulhado com um conteúdo que logrou os convidados na festa final do Filo 2001.
A dramaturgia de Juan Grau pretendia colocar os personagens (um viúvo tímido, um machista insensível, a namorada vulgar e a jovem esposa suicida) num abismo existencial. Ficar presos numa cancela de trem serviu apenas de mote para aflorar os nervos à flor da pele. A impossibilidade de transpor um limite físico foi a metáfora para que eles pusessem em choque próprias limitações existenciais.
A dramaturgia anêmica foi o primeiro ponto que fez ‘‘Bailamos?’’ não decolar. O texto superficial, primeiramente, não deu subsídios suficientes para referendar a situação limite dos personagens. Enquanto o machista provoca, o outro viúvo tenta reagir desesperado e se apega às visões da esposa que se suicidou. A interpretação inconsistente não conseguiu salientar o lado obscuro de cada personagem. Pontuado por longas pausas, os atores não obtêm êxito na empreitada, colaborando para que o espetáculo se tornasse monocórdio emocionalmente. As aparições da morta arrependida funcionaram como comentários visuais óbvios, não se concretizaram como provocação. O diretor Juan Grau pretendeu colocar indivíduos à beira de um abismo existencial e não ofereceu rede de segurança para a queda fatal de ‘‘Bailamos?’’.
Mais uma vez, os velhos truques pirotécnicos dos espanhóis se tornaram cansativos, e nesse espetáculo frio não serviu para iluminar o caminho para Juan Grau, autor e diretor. É como se os encenadores não conseguissem enxergar nada além da cortina de fumaça deixada pelos fogos e os instigassem a criar algo próximo ao simples, que exige mais dimensão humana. ‘‘Bailamos?’’ foi um busca-pé catalão que passou por Londrina e não deixou rastros.

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