Pelo terceiro ano consecutivo, Astrid Fontenelle é a principal âncora da Band no Carnaval da Bahia. Carioca de nascimento e moradora de São Paulo há anos, a apresentadora do ''Melhor da Tarde'' se sente a própria ''rainha'' de Salvador em tempos de folia. Como a Band é a única emissora a dar maior destaque para a festa baiana durante o Carnaval este ano, serão 70 horas de cobertura ao vivo , Astrid virou a ''queridinha'' dos soteropolitanos. Ela adora, por exemplo, ver seu nome estampado em faixas, como ''Band é 10, Astrid é mil'', espalhadas pelas ruas de Salvador. ''A Band eleva a moral dos baianos e eles inflam o meu ego. É uma troca justa'', brinca a jornalista.
Mas a apresentadora lembra que nem sempre teve uma relação fraternal com o Carnaval da Bahia. No primeiro ano em que cobriu o desfile dos trios elétricos para a Band, Astrid garante que foi um choque cultural. ''Estava há 9 anos na MTV e o Carnaval na Bahia não tinha nada a ver comigo. Aprendi a gostar aos poucos'', pondera a apresentadora. Já este ano, Astrid está mais do que animada com o estúdio em formato de ponte que ganhou no circuito Barra-Ondina, onde os principais trios elétricos da Bahia desfilam. ''Posso içar os artistas para o estúdio e fazer entrevistas rápidas no calor da festa'', explica.
Você gosta de axé music?
Não gostava nem um pouco antes de começar a ir para o Carnaval da Bahia. Mas tem coisas legais como os blocos Araketu e Ilê Ayê. O que não gosto mesmo é desta categoria da dança da garrafa do axé music. Mas tenho humor para saber que é algo descartável e passageiro. Então, quando as meninas do É o Tchan param na minha frente, até faço a coreografia com elas durante cinco minutos e tudo bem. No entanto, quando fiz a cobertura pela primeira vez para a Band, depois de 9 anos de MTV, foi difícil me adaptar. Cheguei a querer sair nadando, mas não tinha mais jeito. Tive de relaxar e fui aprendendo a gostar. Hoje, estou adaptada e tenho prazer de trabalhar na Bahia. Inclusive, vou várias vezes por ano a Salvador para não ficar aquela coisa de só aparecer no Carnaval.
Em termos televisivos, você acredita que o Carnaval da Bahia evoluiu?
Sem dúvida. O áudio dos anos anteriores, por exemplo, era terrível. Não dava para escutar o que os trios tocavam. A captação melhorou muito agora, pois as emissoras fizeram um ''pool'' este ano só para o áudio. Também reclamava dos fios elétricos que apareciam nas imagens e, este ano, o prefeito retirou. Para a tevê, era horrível. O meu sonho é que se faça um trabalho de preservação dos bairros do circuito Barra-Ondina, onde têm muitas construções antigas.
Você arriscaria fazer alguma relação entre os carnavais do Rio e da Bahia?
São bem diferentes, mas aqui o povo também não dá muita bola para artistas. Inclusive, vários artistas deveriam vir para cá para caírem na real. Ano passado, por exemplo, vi a Joana Prado de shortinho e biquíni nos ombros de um rapaz. Ela estava feliz da vida por poder ficar à vontade e se divertir. Tem artista que deveria vir para a Bahia só para sair daquela redoma. A Xuxa, por exemplo, deveria participar do Carnaval baiano para sentir o cheiro do povo.
Qual o maior mico que você já pagou na cobertura do Carnaval na Bahia?
Sem dúvida foi o que me chamaram, na última hora, para entrevistar o rei da Suécia. Nem sabia que ele estava na Bahia e quando fui falar com ele soltei um ''vem cá, meu rei...''. Todo mundo pegou no meu pé. Mas, pôxa, na Bahia todo mundo é rei.
Como você se prepara para aguentar a maratona do Carnaval na Bahia?
Um dos segredos é que tomo uma bebida chamada Arrebite uma mistura de vitamina C, catuaba, guaraná em pó... , que me faz pular o tempo todo. Os trios elétricos terminam de se apresentar e continuo no pique total. Mas também faço uma dieta alimentar, eliminando totalmente a carne e aderindo mais aos vegetais. Além disso, quando vai chegando perto do Carnaval, fico em concentração, tipo jogador, e faço muita massoterapia. Claro que também acabo tenho de fazer uma preparação musical para encarar os trios e encho meu carro de discos de axé music.

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