BAHIA E PARANÁ EM NOITE DE GALA
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terça-feira, 25 de julho de 2000
Elisa Marilia Carneiro Enviada a Joinville 
A primeira noite de gala do 18º Festival de Dança de Joinville, anteontem, à noite, no Centreventos, causou impacto com duas apresentações belíssimas: abrindo a programação o Balé do Teatro Guaíra mostrou a coreografia de Roseli Rodrigues O Segundo Sopro e fechando, o Balé Folclórico da Bahia deixou a platéia em êxtase com Bahia de Todas as Cores, de vários coreógrafos.
Única companhia da América Latina filiada à Columbia Arts, o Balé Folclórico da Bahia leva ao palco a cultura popular, patrocinado por empresas mundiais. Fazemos uma releitura do folclore baiano. Não mostramos a forma pura das manifestações populares mas, usando de toda a tecnologia disponível, fazemos um grande espetáculo, conta o diretor do Balé, Walson Botelho (Vavá).
Este mesmo show foi apresentado no Festival de Joinville há 12 anos. Foi a nossa estréia, lembra Vavá. De lá para cá, a companhia passa de oito a nove meses por ano viajando pelo mundo. Só nos Estados Unidos já estivemos em 109 cidades e no mês que vem vamos a mais 49, fora a Europa toda e Austrália.
Com um repertório inesgotável, o Balé da Bahia é formado por duas companhias: uma que há seis anos apresenta-se em Salvador e esta que viaja sem parar. Claro que levamos a Bahia ao mundo. Muita gente vem ao Brasil, até se muda para cá, depois de ter assistido ao nosso espetáculo, reconhece o diretor.
Dividido em oito coreografias, o espetáculo é composto por Dança de Origem, Puxada de Rede, Maculelê. Samba de Roda, Capoeira, Fêmeas, Afixirê e Samba Reggae. Vestidos de sarongues africanos, os bailarinos dançam ao som de atabaques e congas tocados ao vivo. Os instrumentos são acompanhados pelas cantoras Dora Santana e Miralva Couto. Optamos pelo som ao vivo por ser característico da cultura popular. Não queremos interferir tanto na pureza e origem das danças, argumenta Vavá.
E não é só a dança em ritmo alucinante e sensual que os baianos levam ao palco. Na coreografia Samba de Roda, um solo de berimbau do músico Daniel Souza explora todas as possibilidades do instrumento. Nesse momento o público fica paralisado e só reage às provocações do músico.
Mesmo com todo esse sucesso estrondoso, o diretor do grupo diz que ainda não realizou o sonho coletivo: mostrar o Balé Folclórico da Bahia para os brasileiros. Aqui não temos patrocínio. A companhia é muito grande, exige tecnologia avançada e infelizmente ainda não pudemos mostrar o Brasil para os brasileiros. Sim, porque mesmo com influências diferentes, somos um mesmo povo com raízes comuns. Cada apresentação custa em média R$ 100 mil, computadas todas as despesas da companhia que integra 35 pessoas.
Os bailarinos paranaenses brilharam no palco do Centreventos. Com leveza, harmonia e exatidão, a companhia executou oito coreografias combinando equilíbrio e sincronia.
Mesclando duos, trios e conjunto, os bailarinos mostraram domínio da técnica clássica em coreografias de dança moderna. Mas foi na última parte da apresentação que a surpresa, literalmente, desabou com a chuva no palco.
Escorregando como em brincadeiras de crianças, os bailarinos deslizavam, giravam em piruetas espetaculares, jogando água por todos os lados e provocando efeitos de luz e sensações de fantasia.
A jornalista Elisa Marilia Carneiro viajou a Joinville a convite do 18º Festival de Dança


