A primeira noite de gala do 18º Festival de Dança de Joinville, anteontem, à noite, no Centreventos, causou impacto com duas apresentações belíssimas: abrindo a programação o Balé do Teatro Guaíra mostrou a coreografia de Roseli Rodrigues ‘‘O Segundo Sopro’’ e fechando, o Balé Folclórico da Bahia deixou a platéia em êxtase com ‘‘Bahia de Todas as Cores’’, de vários coreógrafos.
Única companhia da América Latina filiada à Columbia Arts, o Balé Folclórico da Bahia leva ao palco a cultura popular, patrocinado por empresas mundiais. ‘‘Fazemos uma releitura do folclore baiano. Não mostramos a forma pura das manifestações populares mas, usando de toda a tecnologia disponível, fazemos um grande espetáculo’’, conta o diretor do Balé, Walson Botelho (Vavá).
Este mesmo show foi apresentado no Festival de Joinville há 12 anos. ‘‘Foi a nossa estréia’’, lembra Vavá. De lá para cá, a companhia passa de oito a nove meses por ano viajando pelo mundo. ‘‘Só nos Estados Unidos já estivemos em 109 cidades e no mês que vem vamos a mais 49, fora a Europa toda e Austrália.’’
Com um repertório inesgotável, o Balé da Bahia é formado por duas companhias: uma que há seis anos apresenta-se em Salvador e esta que viaja sem parar. ‘‘Claro que levamos a Bahia ao mundo. Muita gente vem ao Brasil, até se muda para cá, depois de ter assistido ao nosso espetáculo’’, reconhece o diretor.
Dividido em oito coreografias, o espetáculo é composto por ‘‘Dança de Origem’’, ‘‘Puxada de Rede’’, ‘‘Maculel꒒. ‘‘Samba de Roda’’, ‘‘Capoeira’’, ‘‘Fêmeas’’, ‘‘Afixir꒒ e ‘‘Samba Reggae’’. Vestidos de sarongues africanos, os bailarinos dançam ao som de atabaques e congas tocados ao vivo. Os instrumentos são acompanhados pelas cantoras Dora Santana e Miralva Couto. ‘‘Optamos pelo som ao vivo por ser característico da cultura popular. Não queremos interferir tanto na pureza e origem das danças’’, argumenta Vavá.
E não é só a dança em ritmo alucinante e sensual que os baianos levam ao palco. Na coreografia ‘‘Samba de Roda’’, um solo de berimbau do músico Daniel Souza explora todas as possibilidades do instrumento. Nesse momento o público fica paralisado e só reage às provocações do músico.
Mesmo com todo esse sucesso estrondoso, o diretor do grupo diz que ainda não realizou o sonho coletivo: mostrar o Balé Folclórico da Bahia para os brasileiros. ‘‘Aqui não temos patrocínio. A companhia é muito grande, exige tecnologia avançada e infelizmente ainda não pudemos mostrar o Brasil para os brasileiros. Sim, porque mesmo com influências diferentes, somos um mesmo povo com raízes comuns.’’ Cada apresentação custa em média R$ 100 mil, computadas todas as despesas da companhia que integra 35 pessoas.
Os bailarinos paranaenses brilharam no palco do Centreventos. Com leveza, harmonia e exatidão, a companhia executou oito coreografias combinando equilíbrio e sincronia.
Mesclando duos, trios e conjunto, os bailarinos mostraram domínio da técnica clássica em coreografias de dança moderna. Mas foi na última parte da apresentação que a surpresa, literalmente, desabou com a chuva no palco.
Escorregando como em brincadeiras de crianças, os bailarinos deslizavam, giravam em piruetas espetaculares, jogando água por todos os lados e provocando efeitos de luz e sensações de fantasia.
A jornalista Elisa Marilia Carneiro viajou a Joinville a convite do 18º Festival de Dança

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