São Paulo, 24 (AE) - Foram 13 anos de batalha judicial. Só isso já bastaria para explicar o atraso com que "Bahia de Todos os Sambas" chega aos cinemas de São Paulo. O filme estréia amanhã (25) no Espaço Unibanco. Já foi lançado em vídeo (pela Sagres/Funarte) e exibido no Canal Brasil. Nada disso diminui a fascinante experiência que é assistir a "Bahia de Todos os Sambas". Se você é fã de música e cinema, esse é o filme.
Tudo começou em 83. Gláuber Rocha decepcionou-se com a acolhida a "Terra em Transe" no Festival de Veneza. O italiano Gianni Amico, apreciador de Gláuber e da MPB, resolveu afagar o ego do amigo. Convenceu o assessor de Cultura de Roma, Renato Nicolini, a promover uma apresentação de músicos brasileiros na cidade. Não uma apresentação qualquer. O evento reuniu a nata da baianidade. Faltou Maria Bethânia, mas de resto os doces bárbaros estavam todos lá. Gal, Caetano, Gil e mais Dorival e Nana Caymmi, João Gilberto, Moraes Moreira, Batatinha e Armandinho.
Paulo César Saraceni acompanhou o grupo para documentar a festa da baianidade em Roma. Convidou Leon Hirszman para dividir a direção. Filmaram 36 horas de material: o show, os bastidores, as andanças dos músicos brasileiros pela capital italiana. Mas a aventura conheceu percalços inesperados: uma briga por direitos dos diretores dos espetáculos. O caso foi à Justiça na Itália. Passaram-se os anos. Em 1996, Saraceni ganhou o direito de montar o filme. Hirszman e Amico já haviam morrido. O vídeo e a TV prestaram tributo a "Bahia de Todos os Sambas". Agora é a vez do cinema - o Espaço Unibanco, templo do cinema brasileiro em São Paulo.
É um documentário de música com momentos geniais: a sensualidade de Gal no número Índia, João Gilberto sublime cantando "Estate" e Naná Vasconcelos explodindo no palco na euforia de sua arte de percussionista. Só isso já bastaria para fazer de "Bahia de Todos os Sambas" um documento importante. Mas o filme vai além. Saraceni e Hirszman quiseram captar esse momento raro em que o barroco romano e o soteropolitano se irmanaram. Os baianos, em Roma, estavam em casa. O filme também é o registro dessa afinidade.

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