Bagunçando o coreto
Ranulfo Pedreiro
De Londrina
O visual lembra a bandinha dos Beatles na capa do disco Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band e a origem foi tão espontânea quanto a irreverência do grupo inglês. A Banda Paralela tem uma estrutura de banda do interior, daquelas que tocavam em coretos, animavam as praças e hoje marcham para a extinção. A diferença está no repertório, mais variado, e na presença de palco, realçada pelo bom humor.
A idéia surgiu quando a Banda Sinfônica de São Paulo foi se apresentar em Jales, quase na divisa com o Mato Grosso, em 1992. No caminho, para se divertir, alguns músicos foram improvisando temas. A brincadeira tomou corpo e se estruturou em arranjos que hoje preenchem o disco Banda Paralela, lançado de forma independente.
Se por um lado o CD se mostra criativo e espontâneo, por outro o trabalho musical é sério e dá sustentação a apresentações em palcos variados - de coretos a casas noturnas. Depois daquela viagem, começamos a nos reunir para ensaiar e fomos estudando, foi uma coisa espontânea, comenta o trompetista Roberto Gastaldi, em entrevista por telefone.
Nestas reuniões foram desenvolvidos arranjos para temas variados, que vão desde a abertura de desenhos como Josie e as Gatinhas, do programa Banana Split (Tra-la-la Song) e Esporte Espetacular, até pop/soul como Dancing Days, passando por Gaúcho, de Chiquinha Gonzaga e Pavão Mysteriozo, de Ednardo.
O repertório é definido de uma forma fácil. A gente executa e vê se gosta ou não. Se gostamos, é porque há uma aceitação geral, explica Gastaldi. Mais do que diversão, a Banda Paralela também resgata a sonoridade das bandas, que estão desaparecendo.
Os músicos são profissionais e cada um vem de uma escola diferente. Mas todos tocaram em banda. Já nos apresentamos em gafieira, baile de casamento e batizado. E também temos uma influência erudita, completa.
Para compor o visual, os integrantes optaram pelas roupas militares que normalmente fazem parte do figurino das bandas, só que em cores diferenciadas. A semelhança com a Banda do Sergeant Pepper, dos Beatles, veio por acaso. No palco, o grupo encena coreografias e diverte o público.
Eu toquei muito em banda de interior, é uma coisa que está acabando. Antes era um megashow, hoje muita gente deprecia. Nós também lutamos contra isso, porque as bandas foram a escola de muitos instrumentistas, por isso temos tantos músicos de sopros hoje, argumenta Gastaldi.
Os arranjos às vezes se aproximam do soul, do funk, mas também retratam melodias como maxixes e dobrados. Os músicos chegam a imitar arranjos de música eletrônica com instrumentos acústicos durante os shows.
A formação inclui Roberto Gastaldi no trompete, Silas Homem no sax barítono, Alexandre Saloia na flauta, Ivan Alves e Márcio Forte na percussão, Tiago Sormani no sax alto e Silvio Gianetti Jr. no trombone e bombardino. Com produção de Maurício Pereira, a Banda Paralela mostra criatividade em seu disco de estréia. O CD também surge como alternativa num momento em que vários estilos estão se rendendo à padronização do mercado.
O CD da Banda Paralela pode ser adquirido por R$ 15,00 mais despesas de envio, através do telefone (0+ código da operadora+ 21) 3862-0764. Ou pelo e-mail [email protected] Paralela chega ao CD mostrando criatividade e reinventando o repertório de bandas tradicionais
ReproduçãoBanda Paralela: releituras originais de Adoniran Barbosa, Chiquinha Gonzaga e até mesmo o tema de abertura de Josie e as Gatinhas





