Tony Blair está para George W. Bush como o BAFTA está para o Oscar. A vassalagem é quase absoluta. A cerimônia inglesa é de fato uma pré-edição do Oscar. Amanhã, o musical ''Chicago'' e o drama de época ''Gangues de Nova York'', ambos ''blockbusters'' com 12 nominações cada, vão disputar as principais categorias. E não apenas na tela. A presença americana em Londres deve congestionar o palco do Odeon Leicester Square. Já confirmaram presença diversos nominados, além de convidados para entregar os prêmios: Nicole Kidman, Nicolas Cage, Renee Zellweger, Michael Douglas e Angelina Jolie. Pela primeira vez desde 1948, ano de criação dos British Academy Film and Television Awards, a cerimônia foi antecipada para fevereiro. Até o ano passado, ela acontecia depois do Oscar, e obviamente chegava à mídia completamente esvaziada. A esperança de rachar estas duas dúzias de nominações de ''Chicago'' e ''Gangues...'' está nas mãos de Stephen Daldry e seu magnífico ''As Horas'', que aparece logo atrás com 11 indicações, e de ''O Senhor dos Anéis: As Duas Torres'', com 9.
A indústria inglesa de cinema, que já foi quase tão poderosa quanto a outrora imbatível armada britânica, hoje é sombra difusa de seus tempos de poderio e glória. Mas mantém as aparências através da fleumática categoria ''melhor filme britânico'', aliás de difícil definição, já que boa parte do dinheiro via de regra é americano, alguns atores idem e o diretor eventualmente, restando locações e um produtor local para segurar a honra do ''english team''. O Brasil queima amanhã seu último cartucho com ''Cidade de Deus'', concorrendo ao BAFTA de melhor filme em língua não inglesa.