Badi em todos os tons
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quinta-feira, 07 de julho de 2016
Marcos Roman<br>Reportagem Local 

Apesar de ter lançado 14 álbuns com assinatura personalíssima, é uma tarefa quase impossível definir o estilo musical de Badi Assad. Violinista exímia, cantora eclética e compositora premiada, a multifacetada artista transita com precisão entre o erudito e a world music se equilibrando com precisão em tênues linhas que aproximam a técnica e a emoção, a sutileza e a agressividade e a visceralidade com o transcendental. Principal atração do Festival Internacional de Música de Londrina (FIML) na noite de hoje, sobe ao palco do Teatro Crystal, às 20h30, para apresentar o show que comemora 25 anos de carreira dividida em apresentações pelo Brasil, Estados Unidos e Europa.
O espetáculo será no conceito voz e violão. "Fiz um apanhado com canções que canto desde que comecei. São aquelas músicas que nunca podem faltar nos shows", relata a cantora em entrevista à Folha por telefone ao referir-se ao repertório que passeia por "Joana Francesa" (Chico Buarque de Hollanda), "Bachelorette" (Björk); "Banca do distinto" (Billy Blanco); "Pontas de Areia" (Milton Nascimento & Fernando Brant) e "Básica" (Tatiana Cobbett). Além das autorais "Noite de São João" (Badi Assad); "Você não entendeu nada" (Badi Assad) e "Pega no coco" (Badi Assad), entre outras.
Apontada pela revista americana Acoustic Guitar como uma das maiores violonistas do mundo, Badi atualmente trabalha na divulgação do álbum Hatched. "É um disco no qual dou arranjos 'abrasileirados' a canções de jovens músicos de diversos lugares do mundo que fazem parte do cenário indie rock. São artistas que têm muito a dizer, mas estão fora do mainstream. Lancei este trabalho nos Estados Unidos no ano passado. E pretendo lançá-lo no Brasil até o final do ano. Aqui o título dele será 'Singular'. Na próxima semana embarco para uma turnê nos Estados Unidos e, em breve, farei diversos shows na Europa", informa a artista.
Levando sua música pelos quatro cantos do planeta, Badi afirma ter dificuldade em apontar qual país recebe melhor a sua arte. "É muito relativo. Já fiz shows maravilhosos em países que tradicionalmente têm plateias consideradas frias. Assim como me apresentei em lugares considerados ótimos, mas com apresentações que não me alimentaram energicamente", relata.
No palco, Badi revela-se uma das artistas mais completas do momento, uma virtuose. Com o encanto de uma diva, ela canta, toca violão, dança e transforma sua própria voz e corpo em percussão. "Minha formação é de violonista clássica, nessa fase chegava a estudar violão por 10 horas diárias. Com o tempo fui aprimorando meu canto e percebi que poderia usar meu corpo também como um instrumento. Isso tudo porque tenho uma alma inquieta. Sou guiada pela emotividade e meu atual desafio é dosar todas essas possibilidades de forma harmônica, da maneira como cada canção exige", enfatiza.
Badi é aclamada pela crítica nacional e internacional. Em 1996, a brasileira recebeu prêmio de melhor disco do ano pela revista Guitar Player com o álbum "Rhythms". Dez anos depois, o disco "Wonderland" foi considerado pela BBC de Londres um dos 100 melhores álbuns de 2006. Com o lançamento de "Amor e Outras Manias Crônicas", a artista foi escolhida pela APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) como a melhor compositora de 2012. A paulistana também foi listada pela revista Rolling Stones no ranking dos 70 mestres, violonistas e guitarristas brasileiros de toda a história.
A brasileira já trabalhou com artistas como Bobby McFerrin, Yo-Yo-Ma, Seu Jorge, Naná Vasconcelos e Toquinho entre tantos outros. Já se apresentou em alguns dos mais prestigiados Festivais Internacionais como Montreal Jazz (CA), North Sea Jazz (NL) e teatros como LOpera de Paris (FR), Metropolitan Museum (NY), Sala São Paulo e Teatro Municipal do Rio de Janeiro (BR). Representou o Brasil nos aclamados FarmAid e Lilith Fair (US); teve sua música "Waves" na trilha musical do filme estrelado por Michael & Kirk Douglas "It runs in the family"; representou o Brasil na IV Cúpula do BRICS na Índia e se apresentou tocando e cantando ao vivo com o Balé Teatro Castro Alves (BA) na Bienal de Dança em Veneza (IT).
Serviço:
Vivo Apresenta - Badi Assad
Quando Hoje, às 20h30
Onde - Teatro Crystal Palace (R. Quintino Bocaiúva, 15
Quanto - R$ 30,00 e R$ 15,00 (meia-entrada)


