Baden Powell, ao vivo
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 30 de outubro de 2009
Phoenix Finardi<br> Reportagem Local 
Em 1966, um já famoso Baden Powell manteve lotado o Teatro Santa Rosa no Rio de Janeiro durante cinco meses. O show virou disco pelas mãos de Aloísio de Oliveira e agora, mais de quarenta anos depois, se transforma em CD lançado pela gravadora Biscoito Fino.
Curtinho, o disco tem apenas dez músicas, que deixam a gente com gosto de ''quero mais''. Sete são parcerias com Vinícius de Moraes, com quem Baden começara a compor quatro anos antes. É com essa parceria, em Berimbau, que Baden começa o show, e já emenda em Choro para Metrônomo, composição assinada só por ele. Aqui ele brinca com o equipamento: o violão se adianta, e pode mais, e então retorna ao ritmo que nunca perdeu.
Na sequência, a força de O Astronauta e a doçura da Valsa de Eurídice, outras duas parcerias com Vinícius. Prelúdio em Ré Menor é Bach ouvido de uma nova maneira, o clássico com um toque de modernidade e num instrumento que não era o original do compositor. Foi a primeira vez que o violonista gravou o compositor barroco.
O CD tem ainda Consolação (Baden e Vinícius) e Lamento (Pixinguinha e Vinícius) e a maravilhosa Samba de Uma Nota Só (Tom Jobim e Newton Mendonça).
A interpretação de Baden é tão perfeita que o violão parece ''cantar'' as letras que ficam no ar. Em qualquer ritmo ou estilo, ele e seu violão superavam conceitos, limitações técnicas e artísticas.
No final do disco, a surpresa da voz de Baden cantando Tempo Feliz, outra parceria dele com Vinícius.
''Baden Powell ao vivo no Teatro Santa Rosa'' pode ser lançado e relançado ainda muitas vezes, vai ser sempre atual. Acima de tudo, é um disco comovente, feito com o coração, e impressionante também, porque é executado com a maestria de um gênio.


