Bad prefere shows em locais menores
PUBLICAÇÃO
sábado, 30 de novembro de 1996
Alessandro Reis<br>Especial para a Folha 
Os shows em São Paulo e Rio de Janeiro vão ser em estádios, locais com capacidade para muito público. Em Curitiba, a terceira cidade onde tocam, o show será num clube com capacidade para apenas mil pessoas. Quais as diferenças e qual tipo de show a banda prefere (em festivais, para milhares de pessoas, ou em clubes)?
Jay Bantley - Eu prefiro shows em lugares com menor capacidade de público, porque são melhores para a banda e para o público. Em shows menores a platéia e a banda parecem se entrosar melhor.
Você não gosta de ficar longe do público?
Jay Bantley - Não. Quando dizem que teremos que tocar para uma platéia de 10 mil pessoas, tudo bem... A banda vai subir no palco e dar o máximo que pode. No Rio e São Paulo será assim, mas os verdadeiros shows do Bad Religion são para platéias menores.
O som da banda enlouquece o público, levando a adrenalina a mil... Para você, tocar ao vivo causa que tipo de sensação?
Jay Bantley - Eu fico tão louco como quem está lá em baixo pulando! (risos) Esse é um dos grandes prazeres de estar tocando no Bad Religion - sentir as pessoas realmente reagirem ao que nós estamos fazendo. É difícil descrever a sensação... Quando você está tentando, através da música, provocar alguma emoção no público, e ele está respondendo de forma imediata, a energia parece que vai explodir.
Como você vê o harcore e o punk rock hoje? Como uma atitude, uma postura e não apenas um estilo musical?
Jay Bantley - Eu acho o seguinte: punk é uma coisa que você simplesmente é. Não é aquilo que você ouve ou o tipo de roupas que usa. Ser punk, do meu ponto de vista, é não se enquadrar em regras ou adotar padrões comuns.
Existe música alternativa ou o alternativo e o mainstream já se misturaram?
Jay Bantley - Eu acho que hoje está tudo misturado.
O que você acha que pode explicar o sucesso do Bad Religion, que usa uma linguagem musical tão simples como o punk rock?
Jay Bantley - Eu realmente não sei como explicar o que leva as pessoas a gostar deste ou daquele tipo de música. Eu mesmo não entendo o que me faz gostar de alguns estilos musicais, mas sempre existe algum tipo de sensação... Às vezes eu acho que pode ser apenas uma onda, que é apenas uma mudança de interesse do público. Mas eu não sei explicar como e nem porque o sucesso acontece... Ninguém sabe!
O que você acha de tocar no Brasil?
Jay Bantley - A única vez que nós viemos para a América do Sul, tocamos em Buenos Aires. Foi num festival com a banda Biohazard. Não pudemos ver nada... Foi a maior correria. Descemos do avião praticamente direto para o palco... E assim que o show acabou voltamos para o avião! (risos) Mas agora, no Brasil, as coisas estão mais organizadas. Espero que dê tempo de conhecer um pouco do país. E espero que as pessoas gostem do nosso show.
Como será esse show no Brasil?
Jay Bantley - Nós temos tantas músicas para tocar que nem sabemos o que vai acontecer. Não somos o tipo de banda que sobe no palco com todo o show programado. Nós começamos escolhendo uma ou duas músicas, depois é o público quem escolhe. Alguém grita o nome de uma música e nós a tocamos.
Quais bandas você escuta?
Jay Bantley - Não muitas.... Quase não tenho tempo. Mas quando estou em casa gosto de ouvir uma banda chamada Sam I Am. Também gosto de Pearl Jam. Ultimamente eu voltei a ouvir The Clash, que é uma das minhas bandas favoritas.
O você achou da volta dos Sex Pistols?
Jay Bantley - Pois é... Cada um faz o que quer e o que pode...


