Babilônia eletrônica
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 10 de abril de 1998
Marcos Filippi Agência Estado 
É claro que o mais importante em um show de rock é a música. O Oasis mostrou isso em sua passagem pelo Brasil. Mas, se um espetáculo também tiver um apoio de luz, palco, parafernália eletrônica, efeitos visuais e iluminação, fica perfeito. O U2 deixou claro isso com a turnê PopMart e os Rolling Stones estão comprovando mais uma vez este fato agora com sua Bridges to Babylon, hoje no Rio e segunda-feira em São Paulo.
O palco para a apresentação em São Paulo começou a ser montado anteontem e deverá ficar pronto amanhã - um dia antes da apresentação do grupo na cidade. Dezessete contêineres vindos de Buenos Aires transportaram a estrutura de metal, que pesa 350 toneladas.
Os Stones possuem três palcos que viajam com eles durante a turnê, explica o gerente de produção Maurice Hughes, que já trabalhou com Madonna, Paul McCartney, no Hollywood Rock, Free Jazz e outros eventos. Um está no Rio, o outro chegou a São Paulo e o terceiro já está a caminho dos Estados Unidos, para onde eles vão após a passagem pelo Brasil. Somente a parte de iluminação, som e efeitos visuais é a mesma. Após o show no Rio, esta parte vem a São Paulo por via aérea e leva um dia para ser montada.
O grande destaque do cenário dos Stones é a ponte que interliga o palco principal - com 54 m de comprimento por 25 m de altura -com o secundário. Geralmente, após a música Wanna Hold You (cantada por Keith Richards), as luzes do estádio se apagam e uma ponte começa a avançar sobre o público. Pela passarela, de 25 m, os quatro Stones, mais o baixista Darryl Jones e o tecladista Chuck Leavell vão para o palco secundário. Lá tocam sucessos dos anos 60 compostos pela banda e outros músicos.
Apesar de toda esta estrutura gigantesca dos Stones, o palco não apresenta muitas dificuldades para ser montado. Estamos trabalhando com 300 homens; metade é de estrangeiros. O trabalho é longo, mas não é difícil. Pela magnitude do show, as pessoas imaginam erroneamente que seja um trabalho de montagem muito complicado. Os Stones são muito profissionais. Todo o material utilizado vem de fora.
Segundo Hughes, que também foi o responsável pela turnê Voodoo Lounge no Brasil, o palco de Bridges to Babylon tem uma vantagem em relação ao que foi montado há três anos, durante a última passagem do grupo pelo País. Da outra vez, os shows foram no Morumbi e no Maracanã. Lá, os desníveis do terreno são grandes e tivemos de montar um tablado de apoio para podermos construir o palco. Agora, principalmente no Sambódromo carioca, o chão é mais retilíneo.
A potência do som também é outro destaque. Apesar dos 252 mil watts, o som é perfeito. Talvez o motivo seja a forma em que as caixas de retorno do som estão dispostas no palco: em duas torres nas laterais do palco. Além disso, o cenário da turnê Bridges to Babylon ainda conta com um telão de alta definição no centro do palco. São exibidas cenas do show e também trechos de videoclipes.
Duas figuras gigantes femininas que ficam nas laterais do palco, torres que simbolizam ruínas da Babilônia, fogos de artíficio (principalmente no final da apresentação) e uma chuva de papel picado na introdução do hit Brown Sugar completam a parafernália do show. Em relação à turnê Voodoo Lounge, ficaram de fora a boneca inflável que acompanha a música Honkey Tonk Women e a serpente metálica que cuspia fogo.
A idéia é transformar os estádios em teatros cyberclássicos, conta o cenógrafo Mark Fisher, responsável pelos palcos de Voodoo Lounge, U2 e Pink Floyd. Tudo isso com a ajuda do telão de alta definição nunca apresentado em uma turnê. O show nos leva a revelar uma visão de mistérios antigos, das nossas imagens sobre a Babilônia a climas futuristas.


