A B-Bends, única banda de rockabilly autoral de Londrina, prepara as malas e os instrumentos para a sua primeira turnê pela Europa. Entre os dias 6 e 23 de março, o trio percorre Holanda, Bélgica, França e Alemanha em uma maratona de dez apresentações, levando aos palcos gringos um repertório próprio inspirado em uma das vertentes pioneiras do rock and roll.

O giro internacional marca um novo momento para a banda, que teve a trajetória interrompida algumas vezes nos últimos anos. Em 2015, o vocalista Herbert Hellbilly se mudou para a Inglaterra, o que levou à pausa das atividades. A retomada aconteceu em 2019, com o retorno do músico ao Brasil, mas os planos foram novamente suspensos no ano seguinte, em razão da pandemia.

Agora, eles veem na viagem ao exterior mais uma oportunidade de recomeçar, ao mesmo tempo em que ampliam contatos e buscam espaço no mercado internacional, com a aproximação de produtores e gravadoras especializadas no gênero. Além das articulações profissionais, a experiência também é cercada de animação e expectativa por parte da banda.

“São portas abertas para novos desafios. A gente está com uma ansiedade grande, porque é outro país, outro público, que entende melhor e vive intensamente a cultura do rockabilly. Para nós, vai ser uma experiência sensacional. Vamos passar por vários lugares, fazer um giro grande, e isso deixa tudo ainda mais especial”, afirmou o contrabaixista Diego Mene.

ORIGINALIDADE

A B-Bends construiu sua identidade musical a partir de referências diversas. Segundo Mene, o estilo carrega a essência de nomes como Coke Luxe (considerada uma das primeiras bandas de rockabilly do Brasil), Crazy Legs, Stray Cats, Carl Perkins, Johnny Powers e Chuck Berry, por exemplo.

Além do rockabilly clássico dos anos 50, a banda também incorporou influências do punk, do metal e principalmente do psychobilly, o que deu ao som uma pegada mais acelerada e “selvagem”, como eles mesmos definem: um “brazilian wild rockabilly”. O resultado é um estilo que preserva a história, mas que ganha intensidade.

Para a banda, levar essa identidade construída em terras vermelhas ao exterior é muito significativo. “Quando começamos a fechar a turnê, caiu a ficha de que somos a única banda de rockabilly autoral em atividade em Londrina. Levar o nome da cidade para os palcos europeus é uma honra enorme, ainda mais vindo de um lugar com uma cena cultural tão rica e que já revelou tantos artistas. Estar representando Londrina com um som que nasceu aqui, das nossas ideias e conversas, e ver isso chegar a outros países é a realização de um sonho que a gente planejou por muito tempo”, declarou o músico.

ROCKABILLY PÉ VERMELHO

Fundada em outubro de 2011, com o primeiro show na antiga Vila Cultural Cemitério de Automóveis em Londrina, a B-Bends (ou B-Benders, como era chamada na época) nasceu com foco em composições próprias e grandes ambições. Logo na estreia, apresentaram sete músicas, sendo cinco autorais.

Em um cenário local onde predominavam bandas dedicadas a releituras de clássicos do rock, como Elvis Presley e Johnny Cash, o trio optou por construir repertório autoral dentro de um gênero que mistura country com R&B e é historicamente associado à tradição norte-mericana.

O próprio nome da banda já carrega essa intenção. “A gente quis montar o projeto porque o rockabilly é a raiz do rock’n’roll e já fazíamos parte desse movimento. O nome B-Bends vem do ‘bend’ da guitarra Gretsch, aquele riff bem característico. A gente quis que o nome já trouxesse essa referência direta ao som que faz”, contou Mene.

Assim, o grupo ajudou a formar público em Londrina no início da década passada, ao lado de outros artistas da cena alternativa, que exploravam também subgêneros como surf rock e psychobilly – mistura do rockabilly com a energia punk.

B-BENDS

Atualmente, a formação reúne Herbert Hellbilly (vocal e guitarra), Diego Mene (contrabaixo acústico) e Billy Monster (bateria), músicos já experientes de outras bandas como Londrina Ska Clube, Maniáticos do Reverb, Brazilian Cajuns e Street Bluegrass Crew. Até 2014, o grupo contou com Humberto Scaburi como quarto integrante.

Ao longo da trajetória, lançaram dois discos autorais: B-Bends (2012) e My Kind of Babe (2013), com participação da banda também londrinense Cluster Sisters, que participou do programa Superstar, da TV Globo, em 2014.

O som é marcado pela estética vintage e letras que abordam diversão, rebeldia jovem, relacionamentos amorosos e a cultura dos automóveis antigos, elementos característicos do universo rockabilly. As faixas, que estão disponíveis no YouTube e no Spotify, já chegaram a ser executadas em rádios de Las Vegas, nos Estados Unidos.

No circuito de shows, a banda acumulou participações em eventos dentro e fora do Paraná. Esteve na segunda edição do Big River, em Sapucaia do Sul (RS), em 2013, considerado o primeiro festival exclusivamente dedicado ao rockabilly no Brasil, e no Rebel Day, em Niterói (RJ), em 2014. Em Londrina, integrou a programação do Festival DemoSul, em 2012.

A B-Bends também foi convidada para duas edições do Psycho Carnival, em Curitiba, em 2012 e 2014, evento considerado o maior festival de psychobilly da América Latina e um dos principais do mundo no gênero. Com outros shows em São Paulo e Minas Gerais, participou do Luck Friends Rodeo Motorcycle, em Sorocaba (SP), e dividiu palco com nomes internacionais como Batmobile, King Salami & The Cumberland Three e Marcel Bontempi.

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