Azulejos de igreja serão restaurados
Christianne González
Agência Folha
Técnicos portugueses e brasileiros iniciaram este mês o trabalho de restauração de 27 mil azulejos raros que decoram as paredes do edifício da congregação Venerável da Ordem 3ª Secular de São Francisco da Bahia, em Terreiro de Jesus (centro histórico de Salvador).
Eles foram produzidos em Lisboa no século 18 e contam parte da história da cidade, antes de ela ser atingida por um terremoto em 1755. Considerado o mais importante registro de cenas, monumentos e paisagens de Lisboa antiga no mundo, os azulejos contêm imagens como as da cerimônia de casamento do príncipe dom José 1º (filho do rei dom João 5º) com Catarina da Áustria. Também está retratado nos azulejos o Palácio da Praia monumento destruído pelo terremoto. Na área em que ficava o palácio funciona hoje o Centro Cultural de Lisboa.
Pintados em azul e branco, os azulejos estão distribuídos em 38 painéis instalados em dois pátios descobertos e na sala de reuniões (consistório) do edifício da congregação. O resgate dessa obra é de fundamental importância para a nossa história, disse Manuela Malhoa, engenheira-química portuguesa, responsável pela operação de restauro. O governo português dispõe de poucos registros de Lisboa com imagens da cidade antes do terremoto, segundo Manuela.
Do Palácio da Praia, só temos registros em gravuras e uns poucos azulejos que decoravam o interior do monumento. Além disso, não temos conhecimento da existência de nenhum conjunto de azulejos com imagens do casamento do príncipe.
Os azulejos que retratam o casamento trazem imagens de Catarina da Áustria navegando pelo rio Tejo e da comitiva e dos noivos desfilando em carruagens. Há também desenhos de diversos monumentos importantes de Lisboa, como a Torre de Belém, os mosteiros dos Gerônimos e de São Vicente de Fora, o Castelo de São Jorge e o Palácio da Ajuda, além de uma série de paisagens e de igrejas do século 18.
Segundo o ministro da congregação, Firmino Alves, a restauração está orçada em US$ 3,5 milhões (cerca de R$ 6,3 milhões). Os trabalhos estão sendo pagos com recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social,(BNDES) do grupo português Espírito Santo e da empresa portuguesa Cimpor.
A Ordem 3ª está custeando a hospedagem e a alimentação dos 15 técnicos em restauro que participam do trabalho. Pelo cronograma inicial, a operação deverá estar concluída em 14 meses. Mesmo em obras, os painéis estão abertos para a visitação pública de segunda-feira a sábado. O horário para visitas vai das 9 às 17 horas.





