Axé coleciona inovações em 25 anos de história
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quinta-feira, 04 de março de 2010
Alan de Faria<br> Folhapress 
Um rapaz descalço, sem camisa, com cabelos encaracolados e compridos, cantando uma música percussiva e com letra fácil. Foi assim que Luiz Caldas surgiu para o Brasil inteiro, em 1985, e o axé music nasceu. Com o álbum ''Magia'' e a música ''Fricote (Nega do Cabelo Duro)'', o cantor baiano invadiu as rádios do país e disputou lugar nas paradas musicais com o rock brasileiro, sucesso à época com bandas como Legião Urbana, Paralamas do Sucesso e Barão Vermelho.
Desde então, 25 anos se passaram, e o ritmo foi mudando. No início, ainda era visto como exótico. Em 1992, Daniela Mercury lançou o álbum ''A Cor da Cidade'', e o axé conquistou novos públicos. Entre 1996 e 1998, o gênero foi a galinha dos ovos de ouro das gravadoras, já que discos de grupos como É o Tchan, Eva e Terra Samba venderam milhares de cópias. Depois dessa explosão, nomes como Ivete Sangalo e, mais recentemente, Claudia Leitte, surgiram. Hoje, o axé é febre em micaretas em vários Estados. Este verão já mostrou que a nova sensação do gênero atende pelo nome de Parangolé. O grupo de Léo Santana faz sucesso com ''Rebolation''.
Na avaliação de Betinho, apresentador do programa ''Band Folia'' (Band FM), embora seja um ritmo novo, o axé music já sofreu uma série de transformações. ''Foi preciso mudar para, por exemplo, entrar no mercado de São Paulo e do Rio. Os artistas perceberam que, para sair da Bahia, era necessário deixar de inserir tantas palavras da cultura afro nas músicas e até mesmo colocar outros elementos percussivos além do tambor'', afirma.
Não à toa, o que marca o rimo hoje em dia é uma grande mistura. Enquanto Ivete Sangalo mescla pop, baladas românticas e percussão em suas músicas, bandas como a novata Parangolé investem no axé com pagode. Grupos como Olodum e Timbalada mantêm a tradição do samba-reggae, do tambor e da linguagem e do vestuário afro em suas composições.
''A evolução do axé music foi natural. Os artistas são abertos a outros ritmos. Não à toa, é possível encontrar na música baiana elementos da música eletrônica, do samba-reggae e até mesmo do pop'', acredita Margareth Menezes, uma das pioneiras do axé music, ainda na década de 1980.
''Eu procurei, de fato, colocar tudo no mesmo caldeirão para fazer um trabalho diferente. Peguei a influência dos blocos afros da Bahia, do frevo, do rock, do samba... Por isso que eu acho que a minha experiência nos bailes foi importantíssima para eu fazer o disco ''Magia''', conta Luiz Caldas. Para ele, até o lançamento do álbum, em 1985, a Bahia estava um marasmo. ''Só tinha Caetano Veloso, Gal Costa, Maria Bethânia e Gilberto Gil e mais nada'', acrescenta o músico.
Apesar do reconhecimento, Margareth acredita que o gênero tem muito a evoluir ainda. ''O que são 25 anos? É um ritmo em fase embrionária''.


