São Paulo - A calmaria do centro histórico de São Luís do Paraitinga (SP) engana. Por trás do bem preservado casario do século 18 e das lendas do saci-pererê (figura folclórica homenageada na cidade em 31 de outubro), a região esconde um lado bem radical. A estrela do turismo de aventura é, sem dúvida, o rafting. A temporada de remadas reserva emoções para todo tipo de aventureiro.
  As águas estão até no nome da cidade, localizada a 173 quilômetros de São Paulo. Paraitinga significa ‘‘águas claras’’ em tupi, uma referência ao rio, outrora cristalino, que cruza o município encravado na Serra do Mar, entre Taubaté e Ubatuba. Mas o rafting é realizado em outras águas, as escuras do Rio Paraibuna.
  ‘‘Nosso rio depende totalmente das chuvas’’, diz o dono da agência Montana, Guto Pola. São elas que garantem uma descida mais emocionante, com mais brincadeiras e menos possibilidade de o bote ficar encalhado nas pedras. Nesta época, o Paraibuna está com suas corredeiras a todo o vapor. É só aproveitar toda a adrenalina que o rio oferece.
  Há três roteiros para quem quer pouca, média ou muita emoção. Iniciantes podem começar pelo mais curto, o Palmeiras, que dura 1h30 e tem 4,5 quilômetros. A saída ocorre a cerca de 22 quilômetros do centro da cidade, num trecho onde a maior parte das corredeiras é de nível 2 – em uma escala de 1 a 6.
  No caminho, é possível ver pescadores com varas feitas de bambu e cavalos bebendo água nas praias ao longo do rio. A emoção aumenta aos poucos. ‘‘São corredeiras pedagógicas’’, brinca Eduardo de Oliveira Coelho, ex-sócio de Guto, que, vez ou outra, volta a conduzir os botes na empresa. Tudo muito ‘‘light’’: o friozinho na barriga só vem em uma ou duas corredeiras no fim do trajeto. E sobram remansos para nadar e brincar de jogar água. Perfeito para quem só quer saber de se divertir.
Frio na barriga
  Quem prefere mais frio na barriga pode encarar as quatro horas do circuito Brás Adão, de 8 quilômetros. As corredeiras podem atingir o nível 4. Há, no caminho, uma de nível 6, intransponível. Para passar, só fazendo a portagem (descida dos botes por cordas). Os turistas são obrigados a desembarcar.
  O roteiro mais radical é o Cassandoca. É preciso ter fôlego e bom preparo físico para agüentar até seis horas de remadas em um percurso de 16 quilômetros.
Adrenalina pura
  O passeio sempre termina na Fazenda Palmeiras, onde uma dose extra de emoção aguarda os mais destemidos: uma tirolesa de 28 metros de altura e 110 de comprimento, que termina em um lago. Mas certifique-se de colocar os pés na água para garantir o freio... Se depois de tudo isso ainda sobrar energia, vale a pena dar uma volta pelo centrinho histórico de São Luís do Paraitinga. Quem sabe você não encontra o saci?

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