AVENTURAS NO MAR
Marcos Losnak
Especial para a Folha2
Existem histórias que nunca envelhecem. Clássicos antigamente lidos em páginas repletas de letras, exigindo do leitor todas as possíveis ferramentas da imaginação, atualmente encontram no atrativo visual e enciclopédico uma maneira de conferir novo frescor às histórias.
É o caso de Robinson Crusoé do escritor inglês Daniel Defoe (1660 - 1731) e 20.000 Léguas Submarinas do escritor francês Júlio Verne (1828 - 1905), livros recém-lançados pela Editora Companhia das Letrinhas. São histórias universalmente conhecidas apresentadas com nova roupagem. Voltada para o leitor infanto-juvenil, a edição não traz os textos integrais, mas adaptações acompanhadas, além de ilustrações, de iconografia e textos didáticos que contextualizam, tanto histórica como cientificamente, os elementos apresentados pelos romances. Seguem um padrão criado pela editora inglesa Dorling Kindersley que se tornou uma referência mundial. A grosso modo, pode ser definido como um CD-ROM impresso.
Robinson Crusoé, publicado originalmente em 1719, é a lendária história de Crusoé, um jovem que foge de casa em busca de aventuras pelos sete mares. Após viver em vários países - inclusive no Brasil, onde torna-se dono de um engenho de cana-de-açúcar - Crusoé é vítima de um naufrágio. Sendo o único sobrevivente, passa a viver sozinho numa ilha deserta até ser resgatado depois de 30 anos.
20.000 Léguas Submarinas, publicado originalmente em 1870, é uma das histórias mais conhecidas de Júlio Verne, considerado o pai da ficção científica - autor de livros como Volta ao Mundo em 80 Dias e Viagem ao Centro da Terra. A obra apresenta a aventura marítima do moderno submarino Nautilus numa época em que a navegação subaquática era um sonho.
Embora sejam histórias de aventuras, as adaptações não deixam de lado o conteúdo moral inerente aos textos integrais de Júlio Verne e Daniel Defoe.
Em Robinson Crusoé, além dos elementos carregados de aventura, existe uma mensagem moral no interior do romance. O protagonista, Crusoé, é um jovem rebelde que não aceita os conselhos do pai e parte em busca de aventuras marítimas. Após várias encrencas, vê-se isolado numa ilha deserta. Nesse estágio, volta-se aos conselhos dos pais, admite que errou e passa a acreditar em Deus.
Em 20.000 Léguas Submarias, além de toda inventiva ficção científica de Verne, há elementos morais na história de Nemo, o capitão do submarino Nautilus. Nemo não navega pelos mares apenas por paixão, mas também pelo fato dos oceanos serem território sem fronteiras, sem governantes, sem opressão. Trata-se de um homem que, após perder a família e a pátria, torna-se um vingador rebelde. Isolando-se do mundo terrestre a bordo de seu submarino e que passa a financiar movimentos rebeldes de nações oprimidas pelo imperialismo com os tesouros que resgata do fundo do mar.
Embora em 20.000 Léguas Submarinas Júlio Verne não mencione a identidade do Capitão Nemo, em outro romance oferece dados sobre a origem do personagem. Em A Ilha Misteriosa, de 1875, o escritor revela que Nemo é um príncipe indiano que, na luta pela independência de seu país massacrado pelo imperialismo britânico, tem sua família assassinada pelos ingleses. Exilado de sua pátria, passa a incentivar revoluções pelo mundo a fora.
Na presente edição, 20.000 Léguas Submarinas não é só ficção científica, Robinson Crusoé não é só aventura. Oferecem mais que literatura, oferecem História, Geografia e Ciências.
20.000 Léguas Submarinas de Júlio Verne, Editora Companhia das Letrinhas, ilustrações de Paul Wright, adaptação de Ron Miller, tradução de Hildegard Feist, 64 páginas, capa dura, R$ 23,00.
Robinson Crusoé de Daniel Defoe, Editora Companhia das Letrinhas, ilustrações de Julek Heller, tradução de Hildegard Feist, 64 páginas, capa dura, R$ 23,00.





