AVENTURAS DE AMOR E RIQUEZA
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 10 de dezembro de 2001
Marcos Losnak<br>De Londrina - Especial para a Folha2 
Seria possível o medo da morte criar belas histórias? Parece que sim, uma pessoa é capaz de inventar mil e uma histórias diante do medo de ter a cabeça cortada. O exemplo mais conhecido está na figura de Sherazade, a princesa que para não ser degolada inventou 1.001 histórias.
Sherazade é a personagem principal do clássico ''As Mil e Uma Noites'', um dos grandes livros da literatura árabe. Pelo mundo afora existem centenas de versões das histórias narradas pela princesa. Uma delas, realizada pelo escritor e jornalista Carlos Heitor Cony, acaba de ser relançada pela Editora Ediouro.
''As Melhores Histórias das Mil e Uma Noites'' foi publicada originalmente décadas atrás, separadamente em edições de bolso. Agora aparecem num único volume trazendo algumas das narrativas mais conhecidas de Sherazade: ''Simbdá, o Marujo'', ''Aladim e a Lâmpada Maravilhosa'', ''O Califa de Bagdá'' e ''Ali Babá e os Quarenta Ladrões''.
As histórias do livro possuem um elo de ligação, como reforça Heitor Cony no texto de introdução. Elas tratam principalmente de dois assuntos: amor e riqueza. As aventuras de Aladim, Simdbá ou Ali Babá, estão intimamente ligadas ao amor de uma mulher e à conquista de riquezas e mais riquezas.
O livro possui o mérito de apresentar as histórias, numa linguagem clara e ágil, preservando os detalhes do texto original. Por outro lado, infelizmente, não oferece nenhuma informação sobre a história de Sherazade propriamente dita na qual estão inseridas outras l.00l. Dessa maneira, a obra pode ser lida apenas como um volume de contos da literatura árabe. O que não retira o mérito do livro, pois todo aquele que desejar conhecer a história original de Aladim, Simdbá e Ali Babá, ''As Melhores Histórias das Mil Uma Noites'' é uma ótima opção.
As narrativas das ''Mil e Uma Noites'' são de autoria desconhecida. Na realidade trata-se de uma compilação de histórias criadas por diversos autores anônimos em séculos distintos. O elemento da ligação entre elas é justamente a figura de Sherazade.
Tudo começa quando um poderoso rei descobre que sua esposa é infiel. Irritado, mata a mulher e promete nunca mais passar por situação semelhante. Para isso, todos os dias casa-se com uma moça diferente e, após a noite de núpcias, ordena que a noiva seja degolada.
Após um rio de sangue escorrer pelo palácio, uma jovem chamada Sherazade, resolve encarar o desafio de acabar com tamanha violência. Para isso, casa-se com o rei e na noite de núpcias começa a contar-lhe uma história com o cuidado de não terminá-la. O rei, morrendo de curiosidade em saber o final da história, adia a morte da esposa para a noite seguinte. Na noite seguinte, a moça termina a história anterior e começa outra sem terminá-la. Mais uma vez o rei protela sua morte.
De narrativa em narrativa, Sherazade vai adiando sua morte noite após noite. Após 1.001 noites o rei confessa estar apaixonado e decide viver ao seu lado pelo resto da vida. As histórias contadas por Sherazade formam ''As Mil e Uma Noites''. Entre elas estão as aventuras de Simdbá, Ali Babá e Aladim.
As Melhores Histórias das Mil e uma Noites, adaptação de Carlos Heitor Cony, Editora Ediouro, 236 páginas, R$ 23,90.


