Aventuras com ladrões e babás
PUBLICAÇÃO
sábado, 21 de janeiro de 2006
Carlos Eduardo Lourenço Jorge<br> Especial para a Folha 2 
O que têm em comum dois títulos que acabam de chegar às salas brasileiras em lançamento nacional? Muitas coisas, e logo de cara, além da dublagem, o que os une é o espírito gazeteiro, aquela disponibilidade ao ócio próprio da estação. E se é tempo de recesso escolar, apelido sisudo para férias, até fevereiro ainda é hora da garotada buscar novidades para rechear a memória com lembranças mágicas e felizes.
Nos cinemas não tem faltado diversidade aos apelos, o que agora é reforçado com a entrada em cena de ''O Senhor dos Ladrões'' e ''A Babá Encantada'' (veja a programação de cinema na página 2). Ambos têm como alvo o público infanto-juvenil, já que a matéria-prima primordial dos respectivos elencos são atores crianças e adolescentes. São, cada um ao seu feitio, animadas aventuras. E ambos propõem um universo de desafios e travessuras sem a figura materna.
Como reza a cartilha cinematográfica contemporânea e politicamente correta (mas com providenciais pitadas de incorreção), ambas histórias buscam tirar proveito e/ou incentivar a criatividade dos menores, explorando sua capacidade de invenção. A duras penas, cinema e literatura vêm aprendendo que não se trata crianças como seres incapazes de formular pensamentos complexos e tomar decisões sérias. Claro que tudo embutido nas trilhas da aventura, para dar o tempero necessário. Outra semelhança que aproxima os dois filmes aos olhos do público brasileiro e no caso está mais para coincidência é que estão praticamente inéditos no mundo inteiro.
Produção alemã, ''O Senhor dos Ladrões'' (Herr der Diebe) somente foi visto até agora na Áustria e na Alemanha. O filme, baseado em novela da ex-assistente social Cornelia Funke, considerada a J.K Rowling germânica, é best-seller internacional no Brasil foi lançado em 2004 pela Companhia das Letras. Narra a história de dois irmãos órfãos. O menor, Bo, pode ser adotado pelos tios, e o maior, Prosper, deverá ir para um orfanato. Mas a dupla foge para Veneza em busca do cenário e das histórias maravilhosas que a mãe contava. Lá os dois conhecem o garoto Scipio, ladrão tipo Robin Hood que lidera um grupo de pequenos gatunos. A trama é bem-humorada, oscilando entre fantasiosa e realista. O nome de peso do elenco é de Vanessa Redgrave.
Outra atriz inglesa está à frente de ''A Babá Encantada'', lançado somente na Austrália, Inglaterra e Nova Zelândia. Além de atuar, Emma Thompson tambémescreveu o roteiro do filme, adaptado de uma série literária infantil inglesa dos anos 1960. Nesta típica história familiar em que a babá Nanny McPhee está mais para a bruxa de ''O Mágico de Oz'' do que para Mary Poppins, o viúvo Mr. Brown (Colin Firth) precisa resolver um problema grave com urgência. Seus sete filhos, modelos de adorável e caótica rebeldia, estão deixando o pai maluco. Até o momento foram dezessete, as babás vitimadas pelo time de endiabrados. Sem nenhuma dúuvida é missão para a super babá, que vai aplicar, até em doses mais generosas, o mesmo remédio que eles ministraram às antecessoras.
O filme tem charme, às vezes com certo clima tendendo ao dark, e funciona sem problemas, com atores competentes (como a veterana Angela Lansbury) distribuídos em papeis que mais interessam ao argumento. Mas quem brilha de fato é Emma Thompson, metida em caracterização tão bizarra quanto hilária.


