A última quinta-feira, dia 26 de janeiro, foi um dia especial para Leandro Ferreira Lopes, de 15 anos. Morador do Conjunto Maria Cecília (Zona Norte), ele ''sabia do trem e do café'' como elementos importantes na fundação de Londrina mas, por outro lado, nunca tinha visto a Catedral Metropolitana e seus arredores. Era a primeira vez que Leandro e mais algumas dezenas de alunos do Centro dos Produtores Independentes de Arte e Cultura (Cepiac) tiveram a oportunidade de conhecer pontos turísticos e históricos da cidade. Se o Museu de Arte, Biblioteca Municipal ou Cine Teatro Ouro Verde passam despercebidos pela maioria das pessoas que, por exemplo, vão para o trabalho diariamente, uma porcentagem de habitantes de bairros periféricos de Londrina nem imagina a existência dessas construções.
Uma iniciativa vinda por meio do projeto ''Educação Patrimonial'', da arquiteta Aline Sanches Pitzschk, em parceria com o Departamento de Patrimônio Histórico de Londrina, ameniza essa realidade desconhecida pela maioria, porém muito próxima de cada um de nós. O projeto, que tem patrocínio do Programa Municipal de Incentivo à Cultura (Promic), realiza desde o dia 14 de janeiro visitas monitoradas gratuitas aos principais locais que possibilitem o conhecimento, reconhecimento e valorização da história de Londrina.
De acordo com Vanda de Moraes, diretora de Patrimônio Histórico de Londrina, o projeto ressalta dois objetivos; divulgar o conceito de patrimônio histórico e atingir um público diversificado pelo roteiro elaborado. ''Queremos atingir pessoas que moram na região central da cidade, mas que na maioria dos casos não sabem de sua história. Também há quem nunca tenha tido a oportunidade de vir até o centro. É um curso rápido a respeito do significado de patrimônio'', comentou.
O começo da aventura urbana parte da antiga estação ferroviária, edificada em 1950, que rotineiramente transportava pessoas num itinerário que partia de Ourinhos (interior de São Paulo) à Londrina. O grupo de ''desbravadores'' segue a pé, em companhia de monitores, para a praça Rocha Pombo, única praça tombada pelo Patrimônio Histórico do Estado do Paraná, em 1974. Ainda no roteiro, passeios pela Rua Sergipe, Avenida Rio de Janeiro, Calçadão, Praça Marechal Floriano Peixoto, Alameda Manoel Ribas, Concha Acústica e Praça Willie Davis. Segundo Vanda, as visitas não incluem entrada nos edifícios históricos para justamente deixar um ''gostinho de quero mais'' e fazer com que as pessoas retornem ao local.
E Leandro, fascinado com o ineditismo, aceita de cara o convite afirmando que voltará ao museu para visitá-lo com mais tempo. ''Eu já tinha reparado no Museu de Artes, mas pensava que fosse um hotel. Também nunca tinha vindo para esse lado da cidade (Catedral Metropolitana). É bem legal conhecer um pouco da história de onde a gente mora'', comentou Leandro. Da mesma maneira, João Paulo Pereira de Souza, do bairro Novo Amparo (Zona Norte) tem um motivo à mais para orgulhar-se: aos 18 anos, somente em dezembro de 2005 adquiriu seu registro civil, ocasião que também permitiu conhecer o fórum e prefeitura. ''Vim algumas vezes para essa parte de Londrina, mas era sempre muito rápido. Esse passeio está sendo divertido porque conhecemos lugares que só as pessoas mais velhas tinham visto e depois contavam para a gente'', disse.
Aos 22 anos, Emileide Aparecida da Silva Manoel se arrepende por não ter levado máquina fotográfica ao passeio. ''Eu gosto dessas coisas antigas, pois elas chamam mais a atenção do que as atuais. Quero voltar para conhecer lá dentro do museu e para tirar fotos de todos esses prédios'', comentou..
Para o mês de março, segundo Vanda, será elaborado um roteiro alternativo a ser visitado de ônibus, em que o patrimônio natural será destacado. ''Esses passeios também serão gratuitos. Vamos passar pelo Marco Zero, Parque Arthur Thomas, Lago Igapó, entre outros pontos'', completou.

Serviço:
- Visitas monitoradas a pontos turísticos de Londrina. Terça, quarta, quinta e sábado. Das 18 às 19h30. Os interessados não precisam agendar horário e devem se encaminhar até o Museu Histórico Padre Carlos Weiss (pela entrada da Rua Benjamin Constant), ponto de partida do grupo, que fará o trajeto a pé na companhia de monitores. Para grupos fechados, a Secretaria de Cultura disponibiliza transporte. Solicitação pelo telefone (43) 3371-6606 (falar com Vanda de Moraes), das 13 às 18 horas. As visitas monitoradas acontecem até o final de março.

mockup