A aventura sempre dá um sabor especial à vida. Desde que percorreram, no mês passado, oito mil quilômetros em cima de uma moto, os motociclistas Júlio Cezar Lima, 38 anos, e Walter Kock, 46, não param de contar a façanha aos amigos do Moto Clube Pés Vermelhos, de Londrina. A viagem de 18 dias - de 26 de dezembro a 12 de janeiro - por quatro países da América do Sul, segundo o presidente do clube, José Roberval Bordini, foi considerada um exemplo de mérito pelos companheiros das estradas.
Contemplar paisagens brancas na Argentina, como o Monte do Aconcágua, uma das montanhas mais perigosas do mundo, famosa por suas tempestades de neve e temperaturas que beiram os 25 graus negativos em pleno verão, ou visitar o Caracolles, na Cordilheira dos Andes, no Chile, uma descida íngreme, com uma sucessão de 31 curvas de 180 graus, que obrigam o motociclista a fazê-la em segunda marcha - ao lado de um riacho com águas cristalinas de degelo -, foram momentos especiais para os aventureiros de Londrina. ''Foi a realização de um grande sonho'', diz Lima, que é engenheiro agrônomo.
A irresistível atração pelo desconhecido e o prazer de rodar milhares de quilômetros venceram o medo e a preocupação de enfrentar a fadiga e problemas mecânicos com a motocicleta. ''Se não tiver coragem, não faz'', admite Lima, paulistano radicado em Londrina desde 1997. A potência das máquinas, porém, também ajudaram. Os pés vermelhos ®MDNM¯fizeram turismo pelo Brasil, Argentina, Uruguai e Chile, a bordo de uma Suzuki Marauder, 800 cilindradas, e uma Chadow Honda, 600 cilindradas.
Para quem pretende arriscar-se, seguindo o exemplo de Lima e Klock, a falta de dinheiro nem sempre é uma barreira. O engenheiro agrônomo e o empresário de informática planejaram as finanças da viagem com oito meses de antecedência. Lima gastou no total de 18 dias R$ 2.916, uma média de R$ 160 por dia. ''Para quem viajou exatos 8.975 quilômetros e conheceu mais de 30 cidades em quatro países diferentes, este valor pode ser considerado baixo'', calcula o engenheiro agrônomo.
O trajeto e o itinerário, registrados no site www.mcpesvermelhos.hpg.com.br, já suscitam ânimo em outros londrinenses. É o caso do advogado Antonio Farias Ferreira Netto, 25, que planeja colocar sua Shadow Honda, 600 cilindradas, no mesmo destino em janeiro de 2004. Como rápido treinamento, fez sozinho em janeiro último 3.258 quilômetros entre Londrina e Brasília (DF), num trajeto de 12 dias, percorrendo uma média de 271,5 km/dia.
Pista molhada em dias de chuva (Uberaba), visita à primeira residência do ex-presidente da República, Juscelino Kubistcheck (Brasília), e a ida ao famoso Bar Pinguim (Ribeirão Preto) para tomar um chope, foram anotados no pequeno diário de bordo do motociclista londrinense, uma das dicas de motociclistas viajados e experientes. ''A viagem foi maravilhosa e não há policiamento algum em uma das principais rodovias que ligam o Sul ao Distrito Federal'', conclui Netto.

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