Aventura no sul da Bahia
A poucas horas ao sul de Salvador, ao lado de Morro de São Paulo, existe um lugar ainda pouco explorado pelo turismo. A ilha de Boipeba é um paraíso, onde o Rio Una e o Rio do Inferno encontram-se com as maravilhosas águas oceânicas da Bahia. Chegar lá é uma aventura.
Quem vai de barco tem que enfrentar a fúria da Barra de Boipeba, onde o mar insiste em tornar difícil o acesso aos navegadores que querem adentrar os limites mágicos da região. Para fugir desse risco há o acesso pelo Rio Una. De Cairu pega-se barcos que levam até a ilha. Pode-se chegar até de trator, vindo de Morro de São Paulo ou até mesmo de carro ou de ônibus pela estrada asfaltada que liga a cidade de Valença a Cairu. De Cairu a Boipeba são quatro quilômetros por estradas de terra e enfim o paraíso. Águas transparentes, muito sol e uma brisa nordeste recepcionam os turistas e tornam a estada no local agradável e inesquecível.
Com pouco mais de 800 habitantes, o vilarejo está repleto de simpáticos nativos que fazem questão de recepcionar os turistas com calorosas conversas que detalham bem a história do local. Colonizado pelos jesuítas na época do descobrimento, foi palco de muitas lutas entre os índios que viviam ali e os catequizadores que encontraram muita resistência aos ensinamentos impostos pela tentativa de tornar os seres humanos iguais. Como os tupi guarani não queriam se entregar ao sistema imposto, fugiam por um dos canais do rio, quando não achavam a saída e eram massacrados pelos padres gritavam desesperados isso aqui mais parece o inferno!. Essas e outras tantas histórias fazem a ilha de Boipeba tornar-se aina mais misteriosa e deliciosa.
As opções de diversão são os passeios pelas piscinas naturais, um maravilhoso espetáculo da natureza, onde os corais aparecem em maré baixa. Ali, pode-se ficar algumas horas mergulhando e enlouquecendo com os coloridos cardumes de peixes.
Em Boipeba come-se caranguejo, lagosta fresca ao molho de manteiga e ervas; e bebe-se uma infinidade de sucos e batidas de frutas da região. A hospedagem é simples, mas boa. Existem 19 pousadas na ilha, algumas em frente ao mar com restaurantes. O que proporciona ao turista o conforto de entregar-se ao dolce far niente e só lembrar que existe civilização na hora de voltar para casa.
Para os que curtem o mar uma boa alternativa é alugar um veleiro em Salvador e navegar por dez horas até chegar a ilha. A companhia Bahiacharter tem uma variedade de barcos monomotores e até catamarãs de 25 a 41 pés. É possível locar por apenas um dia ou quantos dias o turista estiver interessado. A empresa oferece um skipper, combustível e gelo incluídos nos preços. A tripulação deve fazer as compras de alimentação ou fazer as refeições nos restaurantes de Boipeba. O caminho para chegar lá é pelo Rio do Inferno já que a Barra de Boipeba é muito perigosa para um barco com alto calado.
Independente do como chegar, o passeio vale a pena por mostrar um lado ingênuo da Bahia, onde a civilização ainda não corrompeu os valores do povo. E a calorosa recepção oferecida aos estrangeiros ainda é uma forma de mostrarem o orgulho que eles tem de sua terra.





