ReproduçãoSó com guiaCaverna Água Suja, no núcleo Santana. Visitantes só podem conhecer as grutas do Petar em companhia de guias credenciadosTransformado em parque em 1958, o Petar ocupa uma área de 36 mil hectares, e é o lugar de maior número de cavernas do Brasil, com 239 grutas cadastradas - nos últimos 15 anos, foi descoberta uma caverna por ano, ou novas galerias.
A Caverna de Santana, uma das mais bonitas do mundo por sua variedade de ornamentações rochosas, tem em sua entrada um portão com chave e cadeado para maluco beleza nenhum se meter a besta e entrar na caverna sem guia ou levar no bolso uma estalactite de souvenir. Inteligente providência, tomada em 1980, assim como a construção de portas de madeira, para evitar que abelhudos homens da caverna tenham acesso às áreas de interesse de cientistas. E olha que Santana tem mais de 5 mil metros de galerias e salões. Entre eles, destacam-se o Salão dos Vulcões, o das Flores, o do Desencontro, do Hermeto - onde foi filmada A Sinfonia do Alto Ribeira, em 1985, com Hermeto Pascoal tirando som das pedras.
A maioria das cavernas da região foi formada pela dissolução de calcário, provocada pela acidez da água. Água mole em pedra dura, tanto bate até que fura. E o constante gotejar que se infiltra pelos poros da rocha dão origem às estalactites. Lá dentro, mais uma lição: nem tudo que reluz é ouro. O brilho em volta delas é cristal de calcita. Já as gotas que caem no chão formam as estalagmites. E cada uma delas cresce 1 milímetro a cada três anos. E, aviso aos claustrofóbicos: em todas as cavernas, o clima é fresco, estável e agradável. Uma espécie de ar-condicionado natural, a 20º C.
Dentro da Santana, há também um rio, o Córrego do Roncador. O rio do lado de fora é o famoso e caudaloso Bethary, ótimo para um bóia cross ou um simples e refrescante banho gelado.
Algumas formações rochosas da Santana levam nomes que ilustram suas formas, como a pata de elefante, a boca do tubarão e o cavalo. Para outras formações mais raras, que ficam no Salão Ester e no Taqueupa, o acesso só é permitido a espeleólogos, que não são homens das cavernas, mas estudiosos do assunto. Mas até para esses seres especiais, a coisa não é fácil: só podem entrar quatro pessoas por vez e há inscrições, na fila, até o ano 2000.
Mas isso não tem lá muita importância, porque há muito na Santana para ver ou até para não ver, como é caso do momento em que todos desligam as lanternas e permanecem em silêncio. Medo? Não. Paz e tranquilidade. Aliás, o tempo na caverna é mais real, porque está distante de influências externas.
Uma certa vez, um grupo de estudiosos ficou dentro de uma das cavernas, sem relógio, por 15 dias. Aos poucos, o ritmo deles foi sendo alterado e, por fim, descobriram que seria mais natural ao organismo humano um período desperto de 30 horas para 15 horas de sono.

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