Aventura no reino das estalactites
PUBLICAÇÃO
domingo, 20 de setembro de 1998
Agência Estado 
ReproduçãoSó com guiaCaverna Água Suja, no núcleo Santana. Visitantes só podem conhecer as grutas do Petar em companhia de guias credenciadosTransformado em parque em 1958, o Petar ocupa uma área de 36 mil hectares, e é o lugar de maior número de cavernas do Brasil, com 239 grutas cadastradas - nos últimos 15 anos, foi descoberta uma caverna por ano, ou novas galerias.
A Caverna de Santana, uma das mais bonitas do mundo por sua variedade de ornamentações rochosas, tem em sua entrada um portão com chave e cadeado para maluco beleza nenhum se meter a besta e entrar na caverna sem guia ou levar no bolso uma estalactite de souvenir. Inteligente providência, tomada em 1980, assim como a construção de portas de madeira, para evitar que abelhudos homens da caverna tenham acesso às áreas de interesse de cientistas. E olha que Santana tem mais de 5 mil metros de galerias e salões. Entre eles, destacam-se o Salão dos Vulcões, o das Flores, o do Desencontro, do Hermeto - onde foi filmada A Sinfonia do Alto Ribeira, em 1985, com Hermeto Pascoal tirando som das pedras.
A maioria das cavernas da região foi formada pela dissolução de calcário, provocada pela acidez da água. Água mole em pedra dura, tanto bate até que fura. E o constante gotejar que se infiltra pelos poros da rocha dão origem às estalactites. Lá dentro, mais uma lição: nem tudo que reluz é ouro. O brilho em volta delas é cristal de calcita. Já as gotas que caem no chão formam as estalagmites. E cada uma delas cresce 1 milímetro a cada três anos. E, aviso aos claustrofóbicos: em todas as cavernas, o clima é fresco, estável e agradável. Uma espécie de ar-condicionado natural, a 20º C.
Dentro da Santana, há também um rio, o Córrego do Roncador. O rio do lado de fora é o famoso e caudaloso Bethary, ótimo para um bóia cross ou um simples e refrescante banho gelado.
Algumas formações rochosas da Santana levam nomes que ilustram suas formas, como a pata de elefante, a boca do tubarão e o cavalo. Para outras formações mais raras, que ficam no Salão Ester e no Taqueupa, o acesso só é permitido a espeleólogos, que não são homens das cavernas, mas estudiosos do assunto. Mas até para esses seres especiais, a coisa não é fácil: só podem entrar quatro pessoas por vez e há inscrições, na fila, até o ano 2000.
Mas isso não tem lá muita importância, porque há muito na Santana para ver ou até para não ver, como é caso do momento em que todos desligam as lanternas e permanecem em silêncio. Medo? Não. Paz e tranquilidade. Aliás, o tempo na caverna é mais real, porque está distante de influências externas.
Uma certa vez, um grupo de estudiosos ficou dentro de uma das cavernas, sem relógio, por 15 dias. Aos poucos, o ritmo deles foi sendo alterado e, por fim, descobriram que seria mais natural ao organismo humano um período desperto de 30 horas para 15 horas de sono.


