Aventura no Jalapão
PUBLICAÇÃO
domingo, 22 de outubro de 2000
Mary Persia de Oliveira, Agência Estado 
A região Centro-Oeste do Brasil, que somente há poucas décadas começou a ser desbravada pelo homem, ainda esconde cenários bonitos e pouco explorados. O Jalapão é um deles. Localizado ao leste do Estado do Tocantins, a 264 km de Palmas, tem praias fluviais, dunas, chapadões e corredeiras perfeitas para a prática de rafting (descida em bote). Após o meio do ano (alta temporada) e até meados de novembro, quando começam as chuvas, a região torna-se ideal para quem busca isolamento e um pouco de aventura e não liga para conforto.
O Jalapão é uma Área de Proteção Ambiental (APA) que tem 34 mil quilômetros quadrados e compreende 15 municípios, entre eles Ponte Alta do Tocantins, Campos Lindos, Centenário, Goiatins, Lagoa do Tocantins, Mateiros, Novo Acordo e São Félix do Tocantins.
De longe, a atração que mais impressiona são as formações rochosas. A Pedra Furada não é a maior, mas é a mais curiosa. Com o passar do tempo, o vento e a chuva abriram alguns buracos na parede de arenito que hoje servem de morada às maracanãs, uma espécie de arara verde.
Já a peculiaridade de uma das maiores pedras do município de Novo Acordo, na área do Jalapão, não é obra da natureza, mas do homem. Alguém resolveu construir uma pousada (que vai começar a funcionar em breve) no topo da formação rochosa.
Na paisagem predomina o cerrado, pontuado pela campina e certos trechos de mata. A vegetação em alguns pontos deixa os olhos a desejarem um pouco mais de beleza, mas as cachoeiras sanam o problema. A da Velha é a mais conhecida, mas há outras igualmente encantadoras, com a Jalapinha, da Formiga, do Prata, da Velha, do Sussuapara.
A fauna também enche os olhos. Marcada pela diversidade, tem veados, antas, lobos-guará, tamanduás, macacos, cobras (jibóias, sucuris, cascavéis, cipós etc.), várias espécies de aves (perdizes, tetéus, urubus-reis, papagaios, araras e periquitos, entre outros), sapos, rãs, pererecas e uma infinidade de peixes, como pacus, traíras, piabanhas, piaus, surubins, barbados e
piabas.
Boa parte dos rios da região (Sono, Balsas, Caracol, Preto, Ponte Alta, Prata, Come Assado e Frito Gordo) se transforma em via para botes infláveis, principalmente no meio do ano. Mas há apaixonados por rafting que não esperam a alta temporada chegar para se divertirem e não ligam para a diminuição da infra-estrutura na baixa estação. Eles acampam às margens dos rios, que, de julho ao meio de novembro, ficam com seus níveis baixos e revelam as praias fluviais (destaque para a Graciosa, uma das maiores do mundo).
E, se a região tem praia, tem duna também. Não é nenhuma Natal, mas também vale a pena conferir. No Jalapão, elas assumem um tom acobreado e chegam a 40 metros de altura.
Para relaxar, uma dica é conhecer o fervedouro (ou frevedôro, para os habitantes locais) de Mateiros, perto da cachoeira da Formiga. O fenômeno é combinação do tipo de solo (arenítico) com o armazenamento da água das chuvas no lençol freático, fazendo água morna brotar do solo. É justamente essa água que empurra a pessoa para cima, tendo-se a impressão de se estar flutuando. Além de curiosa, a experiência promete renovar as energias.


