Aventura na maior selva do planeta
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terça-feira, 16 de setembro de 2003
Etianne Jacintho<br> Agência Estado 
Manaus - Caminhar no meio da floresta amazônica, chegar bem perto de um jacaré, ver a temida cobra sucuri e colocar um macaco para dormir são experiências inesquecíveis para os turistas que encaram alguns dias de aventura na selva. Por mais estranho que pareça, não é necessário ser um Tarzan ou uma Jane para fazer tudo isso. Os guias da região amazônica são bem preparados e os medos são facilmente esquecidos diante da beleza da fauna e da flora local.
Durante um passeio de barco dentro dos igarapés, que são estreitos canais, ou dos igapós trecho alagado de floresta durante as épocas de cheia é possível ver e ouvir diferentes pássaros como o pica-pau e a imponente garça. Para quem é bom de vista, o bicho-preguiça é a atração camuflada nos galhos das árvores.
Um trekking no meio da mata virgem é uma verdadeira aula de botânica. A riqueza da vegetação dá a oportunidade de conhecer diversas árvores de mil e uma utilidades para os nativos. Do babaçu sai a palha que serve de telhado para as palafitas. Geralmente, oito camadas de folhas protegem as casas das chuvas frequentes na Amazônia. O urucum atiça a criatividade dos aventureiros que podem fazer diversas pinturas pelo corpo.
Para quem gosta de castanhas, a floresta é um verdadeiro banquete. Os cocos que guardam as castanhas são proteção contra insetos. Por isso, é possível experimentá-las frescas. Para acompanhar a refeição, nada melhor do que provar a água meio adocicada que sai do cipó-d'água. Quem tiver coragem pode arriscar um petisquinho para a sobremesa. Dentro do coco do babaçu se esconde uma larva que é rica em proteínas e serve de alimento para os índios. Com um centímetro de tamanho, a larva de cor bege, chamada popularmente de ''bicho do babaçu'', tem um gostinho de leite de coco.
Vale a pena acordar bem cedinho para admirar o nascer do sol entre as imponentes árvores da Amazônia. Ao entardecer, o espetáculo não é menos belo. A mistura de cores do céu reflete-se na água e só é quebrada pelos primeiros vaga-lumes que começam a fazer parte da paisagem noturna.
À noite, o passeio é mais emocionante: focagem de jacarés. Os moradores da região aprendem, desde cedo, a encontrar os répteis nas águas dos rios. O segredo é sair num barco silencioso e munido de uma lanterna de longo alcance. A lanterna deve iluminar a beira do rio lugar preferido dos jacarés. Quando iluminados, os olhos desses animais ganham um brilho vermelho forte e fica fácil localizá-los.
Além da emoção de sair atrás dos jacarés, o céu estrelado é uma maravilhosa surpresa para quem está acostumado com a noite das grandes cidades. Os entendidos em astronomia podem identificar constelações, satélites e planetas. O brilho do céu no espelho de água dos rios cria um cenário inesquecível.
Uma dica útil é evitar deixar objetos leves e comidas longe de seu campo de visão. Macacos são animais curiosos, espertos e muito ágeis, que adoram xeretar o que não conhecem. Fique de olho para que aqueles seus óculos favoritos não passem a embelezar a cara peluda de um desses animais.


