Aventura gelada
Apesar de roteirizado pelo premiado dramaturgo David Mamet, a crítica não mediu palavras para detonar o filme No Limite, dirigido pelo neozelandês Lee Tamahori, responsável por outras produções como O Amor e a Fúria e O Preço da Traição. Na verdade, o filme não é tão ruim assim. Partindo de uma premissa banal na qual dois homens que se odeiam são obrigados a unir forças para sobreviver em um ambiente hostil, o diretor criou uma história que prende a atenção e funciona como um bom entretenimento.
Repleta de simbolismos, essa aventura dramática que tem nos papéis principais os atores Anthony Hopkins e Alec Baldwin não chega a colocar o telespectador numa fria. Hopkins é o milionário Charles Morse e Baldwin, o fotógrafo de moda Robert Green. Após um desastre aéreo, os dois ficam perdidos em uma região do Alasca, onde precisam conviver com o frio e com o ameaçador urso cinzento. Charles Morse odeia Robert Green porque desconfia que o fotógrafo tem um caso com sua mulher. Já Green inveja Morse pelo dinheiro e pela bela mulher que ele possui. São essas diferenças que eles terão que superar ao se verem perdidos no meio do nada.
Juntos, eles descobrem que a principal ameaça não vem do impiedoso frio e nem da ferocidade implacável do urso, mas sim do medo, da traição e da cobiça dos seres humanos. O grande perigo é o ódio que os alimenta. Mesmo sendo totalmente esquecível, No Limite consegue ser um bom filme de ação. As belas paisagens do Alasca são suficientes para compensar o aluguel da fita. O que mais incomoda no filme é sabedoria de almanaque do personagem de Anthony Hopkins que sempre tem uma resposta para tudo, fazendo com que No Limite acabe funcionando como um manual de sobrevivência na selva. Lançamento da Abril Vídeo. Duração: 117 minutos.
(C.M.)





