'Avassaladoras' seduz pelo charme de Giovana Antonelli
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domingo, 17 de fevereiro de 2002
Rodrigo Souza Grota Reportagem Local 
Uma certa tendência do cinema brasileiro contemporâneo considera o diálogo com o público a única possibilidade de consolidação de nossa indústria audiovisual. Frutos dessa corrente, estão produções como A Partilha, de Daniel Filho; Eu, Tu, Eles, de Andrucha Waddington; Bossa Nova, de Bruno Barreto; e o recente Xuxa E Os Duendes. Com maior ou menor êxito, esses filmes conseguiram conquistar um razoável público em nossas salas já dominadas pelos enlatados made in USA.
Avassaladoras, uma co-produção entre a MM Produções, Total Filmes e a Fox do Brasil, ( veja programação de cinema na página 2) segue a mesma linha, apostando nessa aproximação ao cotidiano brasileiro para garantir sucesso nas telas. Dirigido por Mara Mourão (Alô), a trama centra suas atenções em Laura, personagem interpretada com muito charme por Giovana Antonelli, estrela de nossas telenovelas.
Antonelli estreou no cinema há três anos, em um pequeno papel em Bossa Nova. Uma naturalidade sedutora aliada a sua beleza espontânea tornam a atriz a grande força de Avassaladoras. Ela é o grande trunfo de um filme que naufraga ao permanecer indeciso entre escolher o tom autoral ou a narrativa comercial.
O roteiro, co-escrito por Tony Góes, Mara Mourão e Melanie Dimantas, mostra os dilemas amorosos da designer Laura, que após sete anos de um casamento tragicamente encerrado, se vê sozinha em um mundo habitado por homens em busca de prazeres carnais... Laura conhece Thiago (Reynaldo Gianecchini) e Miguel (Caco Ciocler), e cada um a conquista por certas particularidades.
Sob clara influência das comédias românticas americanas, Mourão escorrega principalmente na direção do elenco. Somente Antonelli se sobressai em um roteiro recheado de imprecisões, como na cena em que Marília Gabriela aparece, promete revelações extraordinárias e não volta mais ao filme. E há também o final, em que após 90 minutos ao lado da protagonista Laura, a trama se encerra sem mostrar como está a nossa heroína.
Mas há aspectos positivos em Avassaladoras que prendem o espectador em muitos momentos. A fotografia do sempre ótimo José Tadeu Ribeiro (São Jerônimo), a atuação descontraída de Caco Ciocler e a direção musical sob responsabilidade de André Moraes (incluindo apenas canções nacionais) são bons exemplos de um filme que poderia obter o êxito de Amores, de Domingos Oliveira, se não escorregasse tanto em alguns pontos. Esse impasse da diretora Mara Mourão, entre se arriscar a uma perspectiva pessoal ou imprimir uma superficialidade aceita por todos, permite ao filme oscilações desagradáveis. Um bom exemplo em que Avassaladoras poderia se mirar é a comédia romântica Próxima Parada Wonderland, de Bran Anderson. Essa comédia sofisticada trata do mesmo tema, mas não ignora as ambiguidades dos personagens e ainda traz uma trilha sonora composta somente por standards da bossa nova. No entanto, o que o filme americano não tem é Giovana Antonelli, detentora de uma intimidade com a câmera que nos faz esquecer toda e qualquer precariedade do cinema brasileiro. Eis a força de uma estrela autêntica.


