''Casa caiada, não sou mais quem fui.'' O verso da sétima faixa do disco mais recente do Mombojó, não remete apenas a Olinda, é também uma espécie de autorretrato. Tudo porque a sonoridade do grupo mudou naturalmente depois da morte de um dos integrantes e da saída de outro. Hoje, mais de três anos depois das tempestades, eles são como uma casa que foi pintada por fora, mas o interior, a essência, segue a mesma. Desconhecem poses, floreios e perfumarias. O que sabem mesmo é tocar e, por isso, guiados pela despretensão, os cinco rapazes lançam agora um forte candidato a ser um dos discos do ano, coproduzido por Pupillo, com o título ''Amigo do Tempo''.
Na casa onde moram, na Pompeia, zona oeste de São Paulo, os músicos do Mombojó ensaiam. Hoje, sem os metais de Rafael (morto em 2007, aos 24 anos, com problemas cardíacos) e após a saída do compositor e multi-instrumentista Marcelo Campello, a banda tenta preencher os vazios sonoros de diversas maneiras. O vocalista e compositor Felipe S. passou a tocar guitarra e teclado, e Chiquinho a botar para ferver seus samplers. Marcelo Machado (guitarra), Samuel (baixo) e Vicente Machado (bateria) seguem dando um recado direto, sem firulas. Depois de passar a pegada ''Antimonotonia'', eles mostram a versatilidade de seu som nessa nova fase.
Os músicos novamente disponibilizaram em seu site o álbum para download gratuito. Sem contar que pelo menos metade dos temas do disco já vinha sendo experimentada pela banda em apresentações. Com isso, mais o auxílio da internet, fatalmente eles vão se deparar com um público já familiarizado com as ''novas'' canções.
O clima de amizade e respeito entre os integrantes inevitavelmente transparece musicalmente em forma de leveza dentro de um disco sincero.
Como em exercícios de Monet, que pintou as mesmas paisagens usando a variação de luz em momentos diferentes de um dia, o impressionismo do Mombojó é vasto, sabe falar da noite, como as introspectivas e etéreas ''Praia da Solidão'', ''Qualquer Conclusão'' e ''Triste Demais'', mas atualmente reluz em um descampado banhado de uma tarde ensolarada, como sugerem as reflexivas, mas ao mesmo tempo dançantes - e com cara de hit - ''Papapa'', ''Passarinho Colorido'' e ''Casa Caiada''.

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