Autores locais ganham espaço
Uma das mais jovens poetas de Londrina a compor a coletânea, Ana Guadalupe, de 29 anos, radicada atualmente em São Paulo, comenta que já esteve presente em outras antologias, mas essa tem um valor diferente: "Vem do meu Estado e no livro estão poetas que cresci lendo; é algo para se levar com orgulho".
Dentre os poetas que fazem parte do livro, ela destaca vários que tiveram influência em seu trabalho. "Tive bastante contato com a poesia do Paulo Leminski quando mais jovem e gosto até hoje. Acho o trabalho dele bem importante", resume. Seu primeiro livro, "Relógio de Pulso", foi publicado pela editora 7Letras em 2011, e sua segunda coletânea de poemas está no prelo.
Além de Leminski, Ana diz ainda que aprecia os textos de Ademir Assunção, Alice Ruiz, Marcos Losnak, Mário Bortolotto e Sérgio Rubens Sossélla. "Quando morei em Maringá durante a faculdade, também acompanhava os escritos do Alexandre Gaioto e Nelson Alexandre. Marciano Lopes, já falecido, foi meu orientador no curso de Letras. De certa forma, todos esses me influenciaram", revela.
Influências que fizeram de seu estilo mais coloquial e solto, porém, preocupado com a forma. "Tento misturar bom humor e mau humor, peso e leveza, mídias muito atuais com aparatos obsoletos. E gosto quando o leitor entende facilmente o que está sendo dito."
De outra geração, Mirian Paglia Costa, hoje com 67 anos, diz que se "surpreendeu de ter sido descoberta pelo organizador", porém, que considerou o convite "elogioso". "Não publico muita coisa. Sou uma poeta bissexta, só saio do 'buraco' de vez em quando. Meu segundo livro foi publicado 16 anos depois do primeiro", recorda-se.
Em São Paulo há muitas décadas, ela atualmente trabalha com jornalismo cultural. "Sempre preferi ficar afastada e 'cobrir' os movimentos como repórter. Hoje, atuo como redatora de uma revista da Livraria Cultura", conta. Mirian tem dois livros de poesia publicados: "Sete eus", de 1981 e "Notícias do lugar comum", de 1997.
De família de leitores assíduos, ela lembra que começou a gostar de poesia ainda criança, quando o pai colocava discos para tocar com declamações de poesias. "Sou uma pessoa muito auditiva, gosto da sonoridade das palavras. Lembro-me de ouvir Olavo Bilac e aquilo não saía da minha cabeça."
Sobre seu perfil, considera-se uma poeta moderna com muita influência do simbolismo. "Admiro o trabalho de Manuel Bandeira embora, tecnicamente, eu seja modernista de Mario de Andrade e Oswald de Andrade. A poesia de Portugal também me encanta", revela. (M.T.)





