Autora emociona plateia ao cantar Roberto Carlos na Flip
Ana Mota Ribeiro, que lança no Brasil "O Quarto do Bebê", disse que a música "Folhas de Outono" faz parte de lembranças familiares
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quinta-feira, 31 de julho de 2025
Ana Mota Ribeiro, que lança no Brasil "O Quarto do Bebê", disse que a música "Folhas de Outono" faz parte de lembranças familiares
Maurício Meireles/ Folhapress 
PARATY, RJ - Depois de uma mesa densa em que se discutiu um tipo de literatura que se ocupa de traumas, a escritora e jornalista portuguesa Anabela Mota Ribeiro escolheu um jeito doce para se despedir do público na manhã de quinta-feira (31), no segundo encontro do dia na Flip, a Festa Literária Internacional de Paraty, deste ano: cantando uma música de Roberto Carlos.
A autora, que lança no Brasil "O Quarto do Bebê", da editora Bazar do Tempo, escolheu "Folhas de Outono", uma canção que não está entre os hits mais conhecidos do cantor no Brasil. "Vou tentar não chorar", disse ela antes de começar.
Ribeiro escolheu a música porque se lembrou de um momento, em uma viagem, quando ficou escutando a canção com a mãe no computador. "Minha mãe é uma mulher muito simples, que começou a trabalhar muito cedo e sofreu muito. Penso nessa canção com muito carinho", disse.
Ela explicou que o cancioneiro de Roberto faz parte da história de amor dos pais e só recentemente foi em família, pela primeira vez, ver um show do rei em Lisboa.
Aplaudida pelo público, a escritora encerrou assim uma conversa de temas difíceis ao lado da francesa Neige Sinno. Ribeiro começou a trabalhar no romance durante a pandemia e enquanto enfrentava um câncer de mama. Já Sinno trata dos estupros que sofreu do padrasto da infância até a adolescência, quando resolveu denunciá-lo.
A crítica Rita Palmeira fez uma mediação detalhista, que parecia partir de uma leitura atenta da obra das duas.
LITERATURA SALVA?
Um dos momentos altos do debate se deu quando as duas autoras discutiram a ideia de salvação pela literatura - um tema que tinha aparecido em tom bem mais otimista na edição do ano passado da Flip. Neige Sinno deve ter surpreendido a plateia ao recusar essa ideia, que vê como um clichê.
"Tento recusar o clichê de que temos que fazer tudo para nos sentirmos melhor. Abandonamos a esperança quando exploramos a complexidade daquilo que não pode ser salvo pela literatura. Não estou salva pela literatura, pelo amor ou pela terapia. Minha cólera está intacta," disse a francesa.
Ribeiro complementou comentando sua experiência com a psicanálise - na qual a terapia se baseia no uso da palavra -, falou em tom um pouco mais otimista, mas não totalmente.
"Não sei se a palavra me salvou, se o amor me salvou - acho que a resposta é sim. Mas é sempre uma salvação incompleta, porque há sempre um reduto onde estamos absolutamente a sós com nossas questões primordiais", disse ela.
A Flip segue até domingo (3)


