Autor mergulha na história e também na ficção
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sábado, 12 de outubro de 2002
Nelson Sato<br> Reportagem Local 
Ultrapassando os limites cronológicos dados pela memória oficial da colonização, o livro ''Crônicas da Fronteira - Imagens e Imaginário de uma Terra Conquistada'', de Rogério Ivano, revela como a história anterior do Paraná foi soterrada. ''Em 1953, no centenário da emancipação política do Estado, já existia o domínio institucional sobre a região tanto por parte do Estado Imperial (através da fundação de colônias militares) quanto por parte da presença eclesiástica da Igreja (através da fundação dos aldeamentos indígenas). Em seguida ocorre a exploração extrativista, o surgimento de empresas de capital estrangeiro e posteriormente a formação da monocultura do café. O espaço não é mais o do sertanejo, mas um espaço capitalizado'' enfatiza.
Para dar cabo de sua tese, o autor serviu-se de um amplo repertório de fontes incluindo relatos de viajantes, exploradores, etnólogos e colonizadores; além de crônicas memorialísticas de pioneiros, fotografias, documentos oficiais, narrativas literárias e ensaios de interpretação do Brasil escritos à época. ''Meu objetivo foi repensar e problematizar alternativas de vida potenciais que essa forma de colonização criou ou deixou de criar'' acentua.
Ivano frisa que sua perspectiva não se enquadra na história regional, já que a abordagem vai além da concepção geográfica integrando a identidade local no contexto mais geral do país.
O terceiro livro de sua fornada escapa ao rigor teórico ou metodológico. ''Os Opostos se Distraem'', lançamento da editora local Atrito Art, é uma coletânea de contos em formato de bolso. A noite de autógrafos de sua primeira incursão pela prosa de ficção está prevista para novembro.
O autor explica que as 42 narrativas do volume ''são tentativas frustradas para enveredar no gênero fantástico''. Ele cita Jorge Luis Borges, Kafka, Murilo Rubião e José J. Veiga como suas principais influências literárias. ''Nos contos presenciamos situações bizarras e fantásticas; o absurdo com suas metáforas líricas; um laconismo insinuante, um não dizer tudo, um desconversar; uma certa guerra com as palavras, as quais o autor prefere 'fritar e comê-las', seguindo a boa tradição nipônica que associa o pensar ao digerir'' escreve o poeta, tradutor e dramaturgo Maurício Arruda Mendonça no texto de apresentação.
Também longe da seara acadêmica, o ainda inédito quarto livro do historiador está em fase de redação. Bancado pela Lei Municipal de Incentivo à Cultura, o volume vai contar a vida do pioneiro e fotógrafo londrinense Haruo Ohara (1909-1999), cujo acervo foi redescoberto há quatro anos consagrando-se nas duas últimas Bienais Internacionais de Fotografia de Curitiba.
Ivano está escrevendo a biografia em parceria com o poeta e crítico literário da Folha Marcos Losnak, a convite de Saulo Ohara, neto do Haruo. ''A pesquisa de fotografias e documentos foi facilitada porque ele era muito organizado. Quando fomos coletar o material, tudo estava disponível e em ordem'' lembra o historiador. Ele salienta que muitos mal-entendidos cercaram a recepção crítica do fotógrafo.
''Durante muito tempo, imaginou-se que ele era um caboclo sitiante que carregava a máquina no cabo de enxada e fazia as fotos por mágica. Na verdade, Haruo era estudioso e metódico. Ele lia muito, ouvia música clássica e conhecia os grandes mestres de seu metiê. Tinha conhecimento de causa e sabia o que estava fazendo'' diz. Se o livro pular da gráfica até dezembro, o historiador merecerá uma prolongada temporada de férias. Um repouso por mérito, por excesso de produtividade.


