Mônica, Cebolinha, Magali, Cascão, Chico Bento. Quem não conhece esses personagens? Criados por Maurício de Sousa, eles vivem histórias, confusões e brincadeiras que atraem a atenção de crianças, jovens e até adultos que cresceram lendo as diversões dessa turminha. E esses são apenas alguns dos personagens inventados por Maurício, que começou a publicar seus quadrinhos em 1959, na Folha de São Paulo, em forma de tiras.
Maurício de Sousa conta que os primeiros personagens foram o cientista Franjinha e seu fiel amigo Bidu, o cachorro azul. Depois vieram Cebolinha, Cascão e Mônica, criada em 1963 e personagem da primeira revista em quadrinhos, publicada em 1970. Todos trazem alguma característica da realidade, que inspirou e continua inspirando o escritor e desenhista até hoje.
O Cebolinha e o Cascão são personagens reais da infância de Maurício. ''Quando criei o Cebolinha, tomei como base um garoto de Mogi das Cruzes que tinha o cabelo espetado e brincava com um menino que era encardido de verdade, daí nasceu o Cascão'', revela o escritor. A Mônica e a Magali nasceram das características de duas filhas de Maurício que têm o mesmo nome das personagens. ''Via a minha filha Mônica que era baixinha, gorducha, dentuça e bravinha e vivia brigando com a Magali, que só se preocupava em comer melancia. Aliás, ela é comilona até hoje'', lembra. Até o coelhinho Sansão existe na realidade. Era um briquedo que Mônica, a filha de Maurício, carregava para cima e para baixo.
E assim nasciam os personagens. ''Eu queria fazer histórias em quadrinhos e para isso precisava de personagens que falassem por mim'', observa. O imaginário do universo Maurício de Sousa abriu espaço para todos os gostos. Ele criou personagens para falar da Pré-História, como o Horácio, viajou pelo Universo com o Astronauta, tratou dos assuntos da roça com o Chico Bento e abordou assuntos do dia-a-dia com a Turma da Mônica.
Nem todos os filhos de Maurício viraram personagens. Ele tem dez, o mais novo ainda nem completou seis anos, e segundo o desenhista ainda faltam três para ganhar seus personagens. Maurício observa que os quadrinhos são uma forma de estimular a leitura. Ele exemplifica que seu filho caçula, Marcelo, está tão curioso em conhecer as histórias que resolveu ler sozinho, formando sílaba por sílaba, até entender toda a história. ''A criança pega a história em quadrinhos para se divertir e não se dá conta que está treinando a leitura'', salienta.
Incansável, Maurício já prepara o lançamento de novos personagens. Desde o Franjinha, já tivemos a criação de vários personagens, entre eles os mais recentes Nimbus e Do Contra, na década de 90, que também foram inspirados em dois filhos do desenhista. Os leitores da Turma da Mônica vão conhecer agora Dorinha, personagem que possui deficiência visual. ''Ela é cega mas super vaidosa e alegre. Ela vai ter um guarda-roupa e convidei um costureiro para me ajudar a compor esse figurino'', detalha.
Maurício descreve que a personagem traz as características de Dora, uma senhora de mais de 80 anos que tem uma fundação de cegos e como Dorinha é vaidosa e espevitada. Ou seria melhor dizer, Dorinha é como ela. ''A Dorinha vai ensinar as crianças a ouvir o som do mundo'', completa. Pela primeira vez, um personagem de Maurício não terá uma roupa pré-definida, como o vestido vermelho da Mônica e o amarelo da Magali, que de acordo com o desenista tinham a finalidade de fixar os personagens e suas características.
Na lista de estreantes está também um menino que anda em cadeira de rodas e uma família de personagens negros que, segundo Maurício, vão trazer musicalidade à turma. ''Um deles é vidrado em música erudita e outro em música popular'', descreve. Esses personagens também estarão presentes em desenhos animados e no cinema. ''Agora posso por som nas histórias pelo cinema'', acrescenta. Falta agora definir os nomes dessas novas criações.
Para Maurício, a inserção de novos personagens é essencial. ''Tenho muito contato com crianças e sinto falta de colocar algum tipo de história nova'', justifica. Atualmente, ele conta com o apoio de uma equipe de roteiristas para compor as histórias. ''Sempre digo para eles que a Turma da Mônica precisa falar a língua do dia'', diz. O desenhista cita que entre os temas atuais está a preocupação com o meio-ambiente e a inserção dos portadores de deficiência à sociedade.
Outra modificação nas histórias será o aparecimento de um personagem que é filho de pais separados. ''Sempre quis abordar esse assunto, mas os leitores se chocariam se os pais dos personagens se separassem. Daí, detectei que um personagem (Xaveco) quase nunca apareceu com os pais, então, ele vai ser filho de pais separados'', adianta. Tudo vai começar com uma história, sem muita explicação nem drama. Maurício expõe que o personagem Dudu, aquele que aparece nas histórias da Magali e não gosta de comer nada, verá Xaveco saindo de casa com uma mala na mão contando que vai passar o fim de semana com seu pai.
E de história em história, abordando temas atuais de maneira descontraída e divertida, a Turma da Mônica segue encantando leitores mirins há mais de 40 anos. Que venham os próximos personagens.

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