AUTOR DE 'CIBERCULTURA' É ATRAÇÃO NA TV
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segunda-feira, 08 de janeiro de 2001
Nelson Sato De Londrina 
De tanto imprecar contra a Internet e as tecnologias de comunicação, os pensadores franceses ganharam a pecha de apocalípticos. O estereótipo, contudo, foge do perfil de Pierre Lévy.
O autor de Cibercultura é o convidado de hoje do programa Roda Viva (22h30), da Rede Cultura. Aos 44 anos, Lévy é professor do Departamento de Hipermídia da Universidade de Paris VIII. Sua formação inclui sociologia, filosofia e ciência informática.
No Brasil, tornou-se o mais celebrado intérprete do mundo digital, espalhando suas teses otimistas em sucessivas visitas às universidade e centros de pesquisa do país. No livro de entrevistas Limiares do Contemporâneo, publicado há alguns anos pela editora Escuta, ele observa que vivemos uma época de surpreendentes transformações.
Antes diz ele os homens tinham uma atividade que se mantinha, e só ocasionalmente você poderia mudar de atividade. Quando se morria, as técnicas ainda estavam no mesmo estado do momento em que se nascia. Hoje em dia elas mudam pelo menos a cada cinco anos. Com isso, a relação da subjetividade humana com a noção de mudança social transformou-se completamente. Mas não nos damos conta disso o bastante, pois infelizmente ainda pensamos com os esquemas do século 18 ou 19.
As idéias de Lévy contrastam com as reflexões de colegas como Jean Baudrillard ou Paul Virilio, para os quais o mundo conectado leva à virtualização do cotidiano, ou seja, ao inverso do real. Durante o Roda Viva, ele toca no assunto: Cessemos de diabolizar o virtual propõe. A escolha não é entre a nostalgia de um real datado e um virtual ameaçador ou excitante, mas entre diferentes concepções do virtual. Ou o ciberespaço reproduzirá o mediático, o espetacular, o consumo de informação mercantil e a exclusão numa escala ainda mais gigantesca que hoje (e esta é, a grosso modo, a tendência natural das supervias da informação ou da televisão interativa). Ou acompanhamos as tendências mais positivas da evolução em curso e criamos um projeto de civilização centrado sobre os coletivos inteligentes. A alternativa é simples.
Suas teses podem ser conferidas em obras como As Tecnologias da Inteligência O Futuro do Pensamento na Era da Informática, O que é o Virtual ou o recente O Fogo Liberador. No centro do Roda Viva, ele será entrevistado por Teixeira Coelho (sociólogo e diretor do Museu de Arte Contemporânea da USP), Rogério da Costa (filósofo e professor de pós-graduação em Comunicação e Semiótica da PUC), Carmem Maia (diretora de Ensino Interativo a Distância da Universidade Anhembi Morumbi), Nize Pellanda (educadora e professora da Unisc Univ. de Sta.Cruz do Sul, do Rio Grande Do Sul), Marcelo Tas (apresentador do programa Vitrine da TV Cultura), Max Alvim (comunicador e diretor da produtora Franmi); e o jornalista Florestan Fernandes Júnior (comentarista do programa Observatório da Imprensa da TVE do Rio de Janeiro).


