Autor abusa da pornografia
AUTOR ABUSA DA PORNOGRAFIA
Em O Magnata,
de Harold Robbins,
pornografia
se sobrepõe à
própria história
Estelio Feldman
Harold Robbins foi sempre um escritor polêmico. Seus textos pesados, beirando o pornográfico, mereceram críticas e censuras. Mas é inegável que seu talento de contista terminava superando isto e o autor acabou conquistando renome, respeito e, por extensão, fortuna. Muitos de seus livros se converteram em filmes e séries de TV (o que é um dos sinais de sucesso nos Estados Unidos, principalmente) e ele formou, com alguns outros romancistas norte-americanos, a grande equipe dos especialistas em criar best sellers, que é um tipo de literatura diferente da tradicional, mas com aceitação boa também entre nós.
Infelizmente, seu último livro, O Magnata (copyright de 1997), lançado no Brasil pela Editora Record, acaba por se revelar um volume em que a pornografia se sobrepõe à própria história. Das 476 páginas do livro, na edição brasileira, deve haver pelo menos uns 20% com cenas de pornografia explícita, abusiva, que na maior parte das vezes sequer pode ser considerada necessária para a compreensão do texto. Curioso é que o autor dedicou o livro à sua esposa e, sinceramente, esta dedicatória faz a gente pensar até no relacionamento conjugal.
Mais grave, porém, é que tirando a pornografia fica muito pouco. O magnata é, como quase sempre acontece nos livros de Robbins, um homem que enfrenta o pai, supera obstáculos e conquista o sucesso. No caso, o herói é Jack Lear, que se lança, no começo dos anos 30, no promissor ramo da radiofonia e que, com grande visão, tino e coragem, constrói um império de emissoras de rádio espalhado pelos Estados Unidos. Depois, com uma visão fantástica, entra também na TV, conquistando o mesmo sucesso. Mas aí é que está o ponto: a história é mal contada, há momentos que parece uma redação de aluno de primeiro grau, sem força ou peso, com tramas que não chegam a convencer e que sequer oferecem um painel (como ocorre nos best sellers) do tema escolhido, que seria a história do rádio e da TV nos Estados Unidos.
Enfim, um livro fraco que se for transformado em filme só poderá interessar aos apreciadores do cinema pornô.





