Autobiografia de Thunderbird escancara bastidores da TV brasileira


THALES DE MENEZES
THALES DE MENEZES

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Luiz Fernando Duarte, o Luiz Thunderbird, é conhecido de shows de sua banda de rock Devotos de Nossa Senhora Aparecida, de anos e anos como VJ da MTV, de programas de TV na Rede Globo, na extinta Manchete e na TV Cultura. Hoje, ele põe a voz no podcast Thunder Radio Show e a cara no Music Thunder Vision, no YouTube.

Esses 59 anos de vida, mais de 40 de rock e 30 de televisão são amarrados em histórias engraçadas em sua recém-lançada autobiografia. Mas as quase 400 páginas de "Contos de Thunder" acabam se tornando um volume fundamental para quem quer entender o que é fazer TV no Brasil.



O aparentemente tresloucado Thunderbird narra altos e baixos da carreira de forma serena. Transparece ser alguém bem resolvido com a gangorra do sucesso.

O livro seria escrito pelo jornalista Mauro Beting, que fez muitas entrevistas com o biografado. Mas um acidente provocou a perda de todos os áudios. Thunder resolveu ele mesmo escrever, com consultas a Beting e ajuda de outro amigo, Leandro Iamin, que fez entrevistas com pessoas citadas no livro.

As recordações vão de episódios divertidos a passagens pesadas com drogas, que o levaram a procurar reabilitação. "Eu achei que tinha de ser minimamente honesto nessa biografia, o mais fiel ao que aparecia na minha memória. Nesses casos felizes, o encontro com Pelé foi demais!", diz Thunder.

Desembarcando de um voo carregando o estojo pesado de seu baixo, ele tropeçou em plena pista do aeroporto. "Caí estatelado no chão, aí vem um cara que pega o meu baixo e me ajuda. Você escuta 'Vamos lá, meu filho', então você olha e vê o Pelé! Foi maravilhoso!"

Na parte inicial do livro, o leitor acompanha relatos carinhosos sobre amigos, namoradas, colegas da faculdade de odontologia (sim, ele se formou dentista e teve consultório por algum tempo) e, claro, inúmeras bandas de rock que montou, além do Devotos.

Essa avidez por vários projetos, como ele define, só diminuiu por um tempo no começo dos anos de 1990, quando ele foi selecionado para a fornada inicial de VJs da MTV Brasil.

"Pela primeira vez a TV era tratada como rádio, ficava ligada o dia inteiro na casa das pessoas. Foi uma febre, especialmente no Rio, onde era TV aberta. Em São Paulo, as pessoas arranjavam jeitos de assistir no UHF, entortavam cabides para improvisar uma antena!", recorda Thunder, rindo.

O primeiro fã-clube do VJ surgiu em Sorocaba, no interior paulista, onde o prefeito montou um telão na praça para passar a MTV. "Um absurdo! Uma revolução! E a revolução seguinte foi justamente a que acabou com a força da TV, que foi o YouTube", define Thunder, que compara seus colegas VJs nos quatro primeiro anos da emissora a crianças em um playground.

Em 1993, saiu por um convite da Globo. Mas voltou ao canal de música em várias oportunidades e teve mais dois períodos de contrato, de 2000 a 2003 e de 2011 a 2013. Esteve no primeiro dia de operação da MTV Brasil e também no último. Hoje, após um hiato, o canal está na TV por assinatura, com outro perfil e novos donos.

O livro escancara como são criados e cancelados programas na TV. Nesse jogo de arriscar e improvisar, os convites a Thunder foram incessantes. E cara de pau nunca faltou.

Sofreu na Rede Globo, fazendo atrações que não curtia com a promessa de um programa de música. Cobriu Carnaval, fez quadro no 'Fantástico", e o projeto de música não durou. Foi para a Manchete, onde apresentou o popularesco "Perdidos na Tarde".

Ficou um curto e problemático período na TV Cultura, em 2013. Saiu sem fazer um programa musical na emissora, mas feliz por encontrar alguns ídolos nos estúdios. "Apareci com o Devotos no 'Ensaio', do Fernando Faro, onde todo músico queria ir. E fiz o 'Provocações', com o Antonio Abujamra. Morri de medo, mas fui."

Thunder acaba de gravar seu primeiro disco solo, "Pequena Minoria de Vândalos", porque deixou o próximo do Devotos para 2021, quando a banda completa 35 anos de incontáveis formações diferentes.



Do álbum solo, Thunderbird já soltou single e clipe de "A Obra". Na pandemia, segue firme com podcast e YouTube, fazendo lives em profusão. "Nunca toquei tanto violão na vida como agora."

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