Os clichês funcionam porque são verdadeiros, alguém já disse. E é por isso que ‘‘Comer, Rezar, Amar’’, repleto deles, vai fazer um tremendo sucesso no cinema, em DVD e será reprisado eternamente na televisão. Em cartaz a partir de hoje no Brasil, o filme conta uma história que o grande público quer ouvir, com uma mensagem digna da literatura de autoajuda. Com a vantagem de que o ingresso custa menos do que um livro.
  Baseado no best-seller homônimo e autobiográfico de Elizabeth Gilbert, o longa narra um ano na vida da escritora americana (vivida por Julia Roberts). O ponto de partida é o fracasso de seu casamento com Stephen (Billy Crudup, de ‘‘Quase Famosos’’), um sujeito imaturo e sem maiores planos para o futuro. Incentivada pelas previsões de um guru que conheceu na Indonésia, Elizabeth larga o marido e cai nos braços de um homem bem mais jovem.
  Mas o rapaz, um ator de teatro envolvido com religiões orientais (James Franco, de ‘‘Homem-Aranha’’), não consegue suprir as carências da protagonista – que nem ela sabe exatamente quais são. Surge então, a ideia de passar doze meses viajando mundo afora, numa tentativa de se ‘‘redescobrir’’. Começa então uma jornada por três países, todos mostrados de forma estereotipada, como é de praxe.
  Na Itália, Elizabeth conhece os prazeres da comida, da bebida e do ócio. Na Índia, desenvolve sua espiritualidade. Por fim, de volta à Indonésia, aprende a viver de fora simples e despojada. Nesse meio tempo, convive com homens que marcam sua trajetória – amantes ou não. Entre eles um sulamericano simpático, emotivo e meio pateta. Ou seja: um brasileiro (Javier Bardem, num momento infeliz, que lembra os papéis de Antonio Banderas em Hollywood).
  ‘‘Comer, Rezar, Amar’’ tem direção e roteiro do esperto Ryan Murphy, criador das séries de televisão ‘‘Glee’’, ‘‘Popular’’ e ‘‘Nip/Tuck’’. Mas, apesar do currículo interessante, ele não consegue escapar de um formato convencional, agravado pela duração excessiva (133 minutos). Ainda assim, o filme cumpre seu objetivo, que é fazer o público sair feliz da sala escura – principalmente as mulheres com mais de 30.

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