Autoajuda cinematográfica
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 30 de setembro de 2010
Omar Godoy<br>Equipe da Folha 
Os clichês funcionam porque são verdadeiros, alguém já disse. E é por isso que Comer, Rezar, Amar, repleto deles, vai fazer um tremendo sucesso no cinema, em DVD e será reprisado eternamente na televisão. Em cartaz a partir de hoje no Brasil, o filme conta uma história que o grande público quer ouvir, com uma mensagem digna da literatura de autoajuda. Com a vantagem de que o ingresso custa menos do que um livro.
Baseado no best-seller homônimo e autobiográfico de Elizabeth Gilbert, o longa narra um ano na vida da escritora americana (vivida por Julia Roberts). O ponto de partida é o fracasso de seu casamento com Stephen (Billy Crudup, de Quase Famosos), um sujeito imaturo e sem maiores planos para o futuro. Incentivada pelas previsões de um guru que conheceu na Indonésia, Elizabeth larga o marido e cai nos braços de um homem bem mais jovem.
Mas o rapaz, um ator de teatro envolvido com religiões orientais (James Franco, de Homem-Aranha), não consegue suprir as carências da protagonista que nem ela sabe exatamente quais são. Surge então, a ideia de passar doze meses viajando mundo afora, numa tentativa de se redescobrir. Começa então uma jornada por três países, todos mostrados de forma estereotipada, como é de praxe.
Na Itália, Elizabeth conhece os prazeres da comida, da bebida e do ócio. Na Índia, desenvolve sua espiritualidade. Por fim, de volta à Indonésia, aprende a viver de fora simples e despojada. Nesse meio tempo, convive com homens que marcam sua trajetória amantes ou não. Entre eles um sulamericano simpático, emotivo e meio pateta. Ou seja: um brasileiro (Javier Bardem, num momento infeliz, que lembra os papéis de Antonio Banderas em Hollywood).
Comer, Rezar, Amar tem direção e roteiro do esperto Ryan Murphy, criador das séries de televisão Glee, Popular e Nip/Tuck. Mas, apesar do currículo interessante, ele não consegue escapar de um formato convencional, agravado pela duração excessiva (133 minutos). Ainda assim, o filme cumpre seu objetivo, que é fazer o público sair feliz da sala escura principalmente as mulheres com mais de 30.


