Auto de Natal é pivô de ação judicial
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sábado, 29 de novembro de 1997
Luiz Claudio Oliveira Curitiba 
O auto de Natal que estreou ontem e é encenado todos os anos nas escadarias da Universidade Federal do Paraná, na Praça Santos Andrade, está sendo o pivô de uma ação judicial por danos morais e uso indevido de imagens. A ação foi pedida por um grupo de dez artistas que trabalhou vários anos na montagem e não teve seu contrato renovado para a atual temporada. Mas a ação é por uso indevido de imagem, já que no ano passado a operadora de TV a cabo Net transmitiu um vídeo do evento durante todo o mês de dezembro sem a autorização dos atores.
A ação corre na 7ª Vara Cível de Curitiba e a advogada dos atores, Tânia Regina da Silva, está pedindo uma indenizaçãde R$ 3 milhões. A Net passou o vídeo todos os dias de dezembro do ano passado, em dois canais, quatro vezes por dia em cada um deles e nunca pediu autorização para os atores, afirma a advogada. Ela alega que em nenhum momento os atores assinaram qualquer autorização de divulgação de imagem. A única coisa que eles assinaram foi o contrato para a representação.
A Net argumenta que o vídeo foi cedido gratuitamente pela Prefeitura para fazer a divulgação do espetáculo. Ninguém pagou nada, foi um benefício para a prefeitura que tem o direito de fazer a divulgação deste espetáculo, argumenta o coordenador de marketing da Net, Fernando Denardim.
Ficamos indignados por termos sido proibidos de trabalhar, de exercer o nosso ofício, afirmou a atriz Marly Gott. Ela conta que a empresa responsável pela encenação, a Véritas, que é de São Paulo, mas mantém escritório em Curitiba, havia entrado em contato com todos os atores convidando-os a participar novamente do espetáculo. Somente na véspera da estréia, quando todos iriam fazer um ensaio geral, a empresa comunicou que o grupo que estava movendo a ação não poderia atuar e seria substituído.
A estréia do auto de natal aconteceu ontem à noite em Curitiba. O espetáculo é feito em local aberto, para um grande público, portanto, as vozes são dubladas. A menos que tenha sido mudo, o que é pouco provável, as vozes pré-gravadas continuaram sendo as dos mesmos artistas que foram proibidos de atuar. Ontem à tarde um acordo entre os atores e a empresa Véritas permitiu a utilização das vozes somente neste fim de semana.
Todos os atores que entraram com ação são considerados de primeira linha na cena teatral curitibana. Muitos deles conquistaram prêmios do troféu Gralha Azul e alguns estão com projetos fora da cidade. A ação foi pedida por Raquel Rizzo, Marly Gott, Edson Rocha, Pagu, Marcelo Bitencourt, Thaís Tedesco, Adriana Lima, Christiane Macedo, Chiris Gomes e Marco de Góis.
Aassessora jurídica da Fundação Cultural de Curitiba, Elizabete Beraldi, afirma que a prefeitura cedeu a fita do espetáculo para Net apenas para divulgação e não previa apresentação integral da peça. Ela também nega que a Fundação tenha interferido na convocação dos artistas. esta é uma responsabilidade da empresa que os contrata. O que podemos fazer é um pedido de informações e uma fiscalização na empresa, afirmou.


