Pela primeira vez no Brasil, a companhia de dança flamenca de Antonio Canales fará única apresentação em Curitiba na próxima terça-feira, na Ópera de Arame. Com a coreografia ‘‘Bailaor’’, o bailarino espanhol promete mostrar ao público o que é o verdadeiro e autêntico flamenco.
‘‘Gostaria que não me confundissem com outros bailarinos que têm vindo ao Brasil, como Antonio Marques ou Sarah Baras’’, dispara. ‘‘Eu sou um servo do flamenco, meu trabalho tem dignidade, honestidade, autenticidade e é verdadeiro’’, garante.
Sem poupar críticas, ele chama atuais astros internacionais da dança, como Antonio Marques, que esteve recentemente no Brasil, de ‘‘oportunistas’’. Diretamente sobre Marques, Canales afirma: ‘‘o que ele dança é qualquer coisa, menos flamenco. Parece uma convulsão’’.
Herdeiro das artes de pai e avô, Canales dedicou 34 de seus 39 anos à dança. Ele foi o único bailarino de flamenco a receber o Prêmio Nacional de La Danza e se orgulha de já ter dançado ao lado de bailarinos como Rudolf Nureyev, Fernando Bujones, Peter Schaufuss. Canales também foi solista do Ballet Nacional da Espanha e, na França, integrou a companhia da célebre coreógrafa Maguy Marin, símbolo da moderna dança francesa.
Ele diz que seus muitos anos de estudo de balé ajudaram a compôr o trabalho que desenvolve hoje. ‘‘Faço um flamenco puro, mas atual. Não é exatamente o mesmo do tempo do meu avô ou do meu pai’’, comenta. Canales, aliás, aprendeu a dançar flamenco com a sua avó.
Apaixonadamente, ele fala sobre a indisfarçável sensualidade da dança e sobre sua cadência especial. Apesar de admitir que a alma do flamenco seja a sensualidade, Canales não concorda com o caráter ‘‘sex symbol’’ que tem sido explorado por algumas companhias. ‘‘O flamenco é sacro, religioso’’, pondera.
A coreografia ‘‘Bailaor’’, que fez sua estréia mundial em setembro do ano passado, no Teatro de la Maestranza, em Sevilla, mostra o flamenco puro, sem dramaturgia, como se fosse uma pintura. É uma tela em branco na qual Canales e seus discípulos, entre eles o jovem bailarino Juan de Juan, duelam como se o palco fosse uma tela e cada ritmo uma pincelada, formando um mosaico de sentimentos, força e magia.
Além de Juan, a companhia de Canales conta ainda com outros três bailarinos: Nacho Blanco, Paul Vaquero e David Paniagua. O mestre elogia seus quatro discípulos e diz que ‘‘o futuro do flamenco seguramente estará nos pés destes garotos’’.
O sucesso de ‘‘Bailaor’’ está sendo constatado no Brasil desde o dia 25 de maio, quando a coreografia estreou no Teatro Municipal de São Paulo, com patrocínio exclusivo da Nokia. ‘‘As apresentações no Brasil têm sido excelentes, estou impressionado e encantado com o público’’, diz Canales.
Ele se refere às três noites de platéia lotada em São Paulo, o que ocasionou uma apresentação extra. O mesmo feito foi repetido no Teatro Municipal do Rio de Janeiro. A turnê já passou também pelo Palácio das Artes, em Belo Horizonte (MG); Teatro Nacional, em Brasília (DF); e Teatro do Sesi em Porto Alegre (RS).
‘‘Estou agora muito interessado em chegar a Curitiba, onde a colônia espanhola é grande e interessante, e onde nos apresentaremos naquele teatro lindo rodeado de água’’, diz.
Depois da apresentação na Ópera de Arame, a turnê de Canales seguirá para Salvador (BA), Recife (PE), Joinville (SC) e novamente São Paulo.
A única apresentação de Antonio Canales em Curitiba será no dia 12 de junho, às 19 horas, no Teatro Ópera de Arame. Os ingressos estão sendo vendidos nas Livrarias Curitiba dos shoppings Curitiba e PolloShop Estação por R$ 40,00 (platéia), R$ 20,00 (1º balcão) e R$ 10,00 (2º balcão). Maiores informações pelo fone 41-354-2662.

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