SãoPaulo, 03 (AE) - A arte brasileira ocupa, a partir do dia 15, a histórica Academia de Belas Artes de Viena, a convite da curadora Monika Knofler. São duas as exposições levadas à capital austríaca com patrocínio do Banco do Brasil e da Gráfica Takano: Alegorias Brasileiras, que reúne 26 fotomontagens de Luiz Monforte, e Jovem Gravura Brasileira, com um time de dez grandes gravadores, entre eles Cláudio Mubarac, Marco Buti e Rosana Monnerat. Na primeira mostra, Monforte lança um catálogo de 80 páginas sobre sua obra com textos assinados pelo poeta Décio Pignatari, o designer Giorgio Giorgi e pela gravadora Daniela Kutschat, integrante da segunda mostra.
Fundada em 1689, a Academia de Belas Artes de Viena, que tem a segunda maior coleção de gravuras do mundo, expõe pela primeira vez artistas brasileiros. A mostra individual de Monforte segue para a Eslovênia, Paris e Londres após a temporada vienense. As gravuras de seus colegas serão vistas apenas em Viena. Selecionados por Monforte, são estes os nomes dos integrantes da exposição, além dos quatro anteriormente citados: Cláudia Jaguaribe, Renata Castello Branco, Tatiana Blass, Gabriel Borges, Davi Magila e Takashi Fukushima.
Monforte, que também lança em Viena um CD-ROM com música do compositor santista Gilberto Mendes, foi convidado pela curadora Monika Knofler para traçar um panorama da gravura contemporânea brasileira. Nascido em Santos há 50 anos, Monforte representou o Brasil na última Bienal de Artes Gráficas de Liubliana, em 1997, na Eslovênia. Foi lá que a curadora austríaca viu seus trabalhos, que agora fazem parte do livro "The Art of the Enhanced Photography", da dupla James Luciana e Judy Watts, lançado este ano.
Ele vai mostrar na Academia de Belas Artes de Viena uma série de 26 fotomontagens da série "O Jogo da Amarelinha", trabalho de tese sobre a brincadeira infantil como manifestação universal. Monforte foi buscar numa série de Durer o ponto de partida da série, que avança e passa pela montagem pop de Rauschenberg. Mas, como Rauschenberg, que passou por Schwitters levando na bagagem a carga do expressionismo abstrato, a colagem de Monforte pretende não ser apenas uma experiência formal.
O artista esclarece que chegou ao jogo da amarelinha por intermédio de um texto de Walter Benjamin, "Brinquedos e Brincadeiras", criando fotomontagens que traçam uma correspondência visual desse ensaio sobre a gênese do signo simbólico, "o nutriente da essência da alegoria". Essas fotomontagens em tiragem única e técnica mista fazem uso do processo tradicional e digital de criação de imagens, fixadas em papel artesanal e sobrepostas "numa avalanche de informação visual", segundo o artista. O espectador busca decifrar essa alegoria, ou pelo menos encontrar um significado específico, mas ao artista interessa principalmente a manipulação dessas imagens.

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