Ausência da OSP em festival causa protesto em Cascavel
Paulo Pegoraro
De Cascavel
A Secretaria Municipal de Cultura de Cascavel deve formalizar nos próximos dias um protesto oficial, junto à Secretaria Estadual de Cultura, contra a decisão da Orquestra Sinfônica do Paraná (OSP) de cancelar sua apresentação na abertura do Festival de Música de Cascavel, na noite de domingo.
A Catedral Arquidiocesana estava lotada e a maior parte do público tradicional não pôde ser avisada sobre o cancelamento antecipadamente. Apesar da decepção houve grande receptividade à Orquestra de Câmara de Assunção (Paraguai), convidada na última hora pelo secretário da Cultura Luiz Ernesto Pereira para substituir a OSP.
O secretário disse que só na sexta-feira foi avisado do cancelamento, resultado de um protesto dos músicos da OSP, que reclamam de falta de recursos financeiros, e diretamente do que seriam baixos salários - entre R$ 400,00 e R$ 500,00, mas chegando a R$ 1 mil com a ajuda de custo.
A OSP era presença tradicional, todos os anos, na abertura do Festival, que, além dos espetáculos de música clássica, tem programação durante várias semanas, de iniciação e aperfeiçoamento de músicos.
O secretário usou de suas ligações com dirigentes da área de cultura de Assunção para conseguir a vinda da Orquestra de Câmara, com dez integrantes - que foram à apoteose com Recuerdos de Ypacaraí sendo insistentemente aplaudidos. A secretária estadual Lúcia Camargo esteve sábado em Cascavel, mas não ficou para a abertura do Festival.
Entre o público, a ex-secretária municipal e dona de conservatório, professora Consuelo Spoladore, uma das iniciadoras do Festival, era uma das mais decepcionadas. Acho que é uma afronta. Eles nunca fizeram greve, se apresentam seguidamente em Curitiba, e fazem agora, quando estava tudo programado, justamente no interior, lamentou.
Consuelo acrescentou que as reivindicações deles podem ser justas, mas devem saber que é o povo de todo o Paraná quem paga seus salários, e comentou que, além da questão financeira, é preciso ter senso de profissionalismo e respeito ao público. No caso de Cascavel, frisou que a OSP sempre foi recebida com o carinho e intermináveis aplausos, por isso não merecíamos esta desconsideração.





