Aulas de esqui são para amar ou detestar
San Carlos de Bariloche - A emoção de deslizar na neve, livre e solto, executando os primeiros movimentos de uma coreografia inédita. O desconforto de caminhar carregando uma bota que impede qualquer movimento extra dos pés e, sobre os ombros, um par de esquis e um de bastões. As duas sensações podem estar ligadas ao noviciado na prática do esqui. E a escolha de uma ou de outra, no momento de descrever as primeiras impressões sobre o esporte, certamente define quem sobreviveu àquelas aulas com noções básicas de esqui - praxe em qualquer estação de esporte de inverno e conseguiu mais do que simplesmente se manter em pé sobre as pranchas.
Famílias inteiras, grupos de jovens, esportistas solitários desembarcam na estação para a sua ''primeira vez'' no esqui quase da mesma forma. Guia conduzindo todas as etapas do ritual: aluguel de roupas (aqueles macacões fofos, de cores fortes, que deixam todos com aspecto de ''teletubbies''), aluguel de equipamentos, subida pelo teleférico até o campo de treinamento. Instrutor tentando ensinar desde a calçar os esquis até a inclinar os joelhos e voltá-los para dentro, na chamada posição de ''cunha'', para garantir aquilo que parece impossível frear os esquis. Aos mais arredios, ainda resta a alternativa do chamado ''esqui bunda''. Nada mais do que uma proteção de plástico no traseiro, para que se possa fazer com mais tranquilidade o que já se faz nem sempre por vontade própria: escorregar sentado pela neve.
Dali para a frente, é que começam as diferenças. As crianças, como sempre mais olhos que ouvidos, mais sensação do que razão, logo estão caminhando pelo campo com a mesma familiaridade com que disparam pelas ruas e pelos parques nos seus patins e skates.
No final da aula, duas horas e incontáveis tombos depois, já está feita a divisão entre os que apenas tiveram mais uma experiência para seu próprio deleite ou para contar aos amigos na volta e os que retornarão no dia seguinte, e no outro, e no outro...
A excursão ao Cerro Catedral, o mais equipado de Bariloche, incluindo ida e volta para o hotel, aluguel do equipamento e aula para um grupo de no máximo 12 pessoas, custa o equivalente a US$ 23. Mas, para quem quer aprender mais do que simplesmente se equilibrar sobre o esqui, essa aula não basta. É conveniente contratar um instrutor para um grupo mais reduzido ou mesmo para uma única pessoa.
Um instrutor particular, para o dia inteiro, sai por aproximadamente US$ 115. E o turista ainda terá de pagar o acesso ao topo do Cerro (em torno de US$ 10, dependendo da modalidade do ''passaporte'', já que os descontos são proporcionais ao número de dias), o aluguel do equipamento (US$ 8 a US$ 12, nas várias lojas que se encontram no complexo do Cerro Catedral) e ainda o transporte (US$ 10 de táxi, do Cerro Catedral ao centro da cidade, ida e volta).
Para aqueles que persistem e voltam ao aprendizado, o desconforto da bota, o peso dos esquis, nada disso conta. Só a ansiedade de sentir de novo o friozinho na barriga quando o esqui começa a escorregar e, aos poucos, deixar o prazer substituir o medo, a cada descida ou a cada curva mais forte.
De toda forma, para todos, parece valer o que diz a guia Marta, ao grupo de turistas que chega ao Cerro Catedral ainda com o sol nascendo, todos ansiosos para fazer a sua primeira aula: ''Desfrutem a sensação de pisar pela primeira vez num esqui, porque ela é única.''





