A ExpoLondrina, um dos eventos anuais mais esperados da cidade, vai muito além do parque de diversões com seus brinquedos e grade de shows de artistas famosos. Dentro do Parque de Exposições Ney Braga existem diversos estandes e pavilhões em que os visitantes podem experimentar um universo - principalmente rural - diferente ao que estão acostumados no dia a dia das grandes cidades. Para a criançada, um prato cheio para aprender sobre o mundo animal, biodiversidade e história da cidade, dentre outras tantas curiosidades.
Lá, pais e professores (com visitas de escolas) têm a chance de mostrar e ensinar in loco e de maneira didática sobre atrações que, algumas vezes, passam despercebidas, mas podem ser muito educativas e instrutivas. Selecionamos alguns espaços que podem funcionar como uma verdadeira escola a céu aberto. Confira:

Fazendinha e trilha


Certamente, um dos locais que mais encanta as crianças é a Vila Rural Fazendinha. Com 25 unidades distribuídas em cerca de 11 mil metros quadrados, visitantes podem aprender sobre produção e manejo de várias culturas, animais e vários setores do agronegócio. Mas, um dos espaços que mais chama à atenção dos pequenos é a mata, onde está localizada a Trilha Biodiversidade. A união de diversão e atividades didáticas garante o interesse da criançada que aprende noções de conscientização ambiental. É um local extremamente fresco e arejado devido à grande quantidade e variedade de árvores, que guarda uma série de informações sobre a natureza e sua importância na vida das pessoas. Para isso, monitores estão espalhados pela mata explicando cada detalhe do passeio, que possui acessibilidade para carrinhos de mão.
Responsável pela atração, Daniel Steidle, comenta que o tema da trilha deste ano traz à tona a questão da água e a necessidade de criação do que chama de "lavouras d'água". "Atualmente, fala-se sobre a importância do racionamento de água, mas não da recarga do lençol freático. Portanto, de nada adianta economizar água se não pensarmos em como ela vai retornar à sua origem. Caso contrário, uma hora acaba, ainda que racionada. Tudo é causado pela urbanização extrema, bem como a alta compactação do solo na agricultura, motivo pelo qual a água acaba passando por essas áreas e não penetrando no solo. E o pior: quando chega, acontece de forma poluída. Por isso que, quanto mais árvores uma área tiver, mais água e de qualidade aquele solo terá. Pequenos agricultores têm chamado de lavoura d'água", explica.
A cada trecho da trilha, intervenções e exemplos de como colocar em prática a ideia de que a água deve ser acessível a todas as pessoas. "Temos que criar propostas concretas, além de evitar o desperdício. Aqui, de maneira lúdica e pedagógica, tentamos despertar ideias e alternativas para a democratização da água. Precisamos que a sociedade entenda que essa mudança não se trata somente de ações governamentais, mas de cidadania participativa", destaca Steidle.
Logo no início da trilha, há uma demonstração de fontes de água limpa e suja. Em seguida, um tronco de bambu suspenso para caminhar. "É uma analogia na qual propomos a busca pelo equilíbrio – andando no tronco – como forma de resgatar a conexão com o ambiente natural."
Há, ainda, uma área com diversas plantas em que são indicadas novas formas de irrigação, neste caso, o gotejador e não mais aspersor. Em outro canto, a demonstração de uma pilha de lixo eletrônico a fim de provocar a conscientização para um novo modelo de consumo. "Mais um vez precisamos pensar em atitudes de transformação tendo como princípio a ecologia profunda e não a rasa. Ou seja devemos, sim, cobrar os fabricantes quanto à obsolescência programada e a reciclagem. Mas devemos, sobretudo, modificar nossas atitudes perante o consumo", alerta Steidle.

Aquário

Um grande aquário, de cerca de 18 mil litros de água, abrigando diversas espécies de peixes - como um pirarucu de 40 quilos, uma tilápia de 7 quilos e um pintado de 12 quilos -, também é uma opção atrativa e educativa às crianças. Localizado na praça próxima aos estandes das selarias, o aquário encanta pelo tamanho e variedade dos peixes.
Ricardo Neukirchner, diretor de Aquicultura da Sociedade Rural do Paraná (SRP), comenta que, além destes tipos gigantes, estão expostos peixes da aquicultura comercial e espécies ornamentais, como cachapira, piraputanga, dourado e cachara. "Além da atração, principalmente às crianças, a finalidade é fomentar a piscicultura da região."
Como este ano foram instalados novos equipamentos e iluminação, a água ficou mais clara, dando melhor visibilidade aos peixes, encantando ainda mais a criançada. Mãe do pequeno Samuel, de 2 anos, Lilian Ramalho Koguishi, andava atrás do menino cujo olhar não desgrudava dos peixes gigantes. "É primeira vez que ele interage dessa forma com os animais daqui. Tudo ele quer chegar perto para ver. É a descoberta de um mundo diferente para ele e até mesmo para nós, pais, ainda que moremos no sítio", conta.
A boa notícia é que o aquário será mantido de forma permanente, ou seja, mesmo com o término da ExpoLondrina, será um local fixo para visitação, principalmente de estudantes, durante o decorrer do ano.

Museu

Outro espaço de exposição fixa e que reúne uma série de informações é o Museu Rural do Paraná. Fundado em 2010, o local de quase 200 metros quadrados inclui um acervo histórico da própria SRP e outro composto de vários tipos de objetos e imagens do início das atividades da entidade em Londrina.
Em uma ala, o ambiente do campo é representado por elementos dos lares da década de 40 e das atividades rurais. Entre os objetos estão fotos, móveis, utensílios domésticos e decoração, bem como ferramentas de artesanato, carpintaria e mecânica e peças de produção alimentar, como a seleção, torrefação e moagem do café.
"Neste espaço, resgatamos a trajetória social e econômica desenvolvida no município, preservando-o como patrimônio cultural e de memória coletiva. É curioso ver de perto como eram esses objetos décadas atrás. Além disso, toda a evolução da Feira ao longo de mais de 50 anos", explica a monitora responsável do local, Bruna Martins do Prado.

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