AULA DIVERTIDA - Boliche para aprender Física
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segunda-feira, 13 de junho de 2016
Marian Trigueiros<br>Reportagem Local 
Quando chegam ao Ensino Médio, muitos alunos questionam-se constantemente sobre a necessidade de aprender conceitos da Física tais como a velocidade de um objeto em movimento, atrito, aceleração, espaço percorrido em determinado tempo, resistência do ar, trajetória e força média. Mas, o que muitos desconhecem, é que tudo isso, além de importante, acontece o tempo todo nas tarefas mais rotineiras das pessoas. Todos nós, sem exceção, sofremos e participamos ativamente desse processo ao andar de carro, chutar uma bola, colidir com outro corpo em movimento e assim por diante. Tudo, absolutamente tudo, pode ser calculado e entendido.
No quadro negro, aquele emaranhado de fórmulas e números assustam a qualquer um. Mas, quando as situações vão fazendo sentido, a teoria torna-se mais fácil e até agradável. Portanto, para facilitar essa compreensão e causar interesse, professores inovam para tornarem suas aulas mais divertidas e significativas. Não medem esforços para que os alunos aprendam na prática o conhecimento passado dentro de sala de aula. Para isso, lançam mão de atividades extracurriculares e materiais complementares a fim de que os números possam, finalmente, "entrar" na cabeça.
Pensando em proporcionar uma aula de imersão, o professor de Física Eduardo Nagao, do Colégio Marista, realiza, anualmente, uma atividade diferente com seus alunos do 1º ano do Ensino Médio. Os adolescentes foram até uma loja de boliche e puderam usar as fórmulas que, no primeiro momento, causam estranheza e até medo. "Tento, de diferentes maneiras, mostrar que a Física pode ser fácil e divertida. Ao ver ações do nosso dia a dia, os alunos conseguem compreender melhor os conceitos seja da Mecânica, Eletricidade, Termodinâmica, Óptica ou Eletromagnetismo."
No caso da aula do boliche, a área da Física a ser analisada é a Mecânica. "Aqui, eles vão calcular a velocidade média da bola na pista, quantidade de movimento da bola e força média aplicada na bola. Para isso, precisam cronometrar o tempo de arremesso, tempo da bola na pista e massa da bola. Com todas essas informações, respondem a uma série de questões relacionadas", explica o professor. Os grupos são divididos de forma que, enquanto um arremessa a bola, o outro cronometra esse tempo de arremesso e um terceiro cronometra o tempo da bola na pista até alcançarem os pinos.
Assim, enquanto uns calculam, a competição acontece a todo vapor, com direito a muita comemoração a cada strike ou zoação quando a bola vai para a canaleta. O clima descontraído toma conta do ambiente e, por vezes, os alunos parecem mais estar se divertindo que solucionando questões de Física. "Esse é o objetivo da aula: eles se divertem tanto que nem percebem que estão estudando e aprendendo. Tudo acontece de uma forma natural a prazerosa. Quando voltamos à sala de aula, o interesse é outro", afirma Nagao, acrescentando que também costuma levar seus alunos ao laboratório e, assim, ver alguns experimentos em escala menor, mas que proporcionam visualizar, literalmente, os conceitos da disciplina.
Cotidiano
Segundo o professor, usar de ferramentas como essas causam uma aproximação do aluno com a disciplina, tida por muitos como "coisa de outro mundo". "Os adolescentes, em geral, gostam de competição. E quando eles percebem que a Física está presente no cotidiano deles, ficam ainda mais animados. Acontece muito de algum não participar muito em sala de aula, mas quando tem essa experiência como a do boliche, passam a interagir mais. E não só isso: a porcentagem de acerto em uma prova, depois de uma aula prática, chega a 90%. Isso mostra que o resultado é satisfatório e que assimilaram o conteúdo."
Dentre outras atividades que Nagao costuma desenvolver com alunos está a ida a parques aquáticos, parques de diversão e pista de corrida de kart. "Em um percurso de uma montanha russa, por exemplo, é possível calcular várias coisas." Entre eles, os alunos conseguem ver do que se trata a força centrípeta resultante de movimentos curvilíneos e a energia cinética. Já no kart, por exemplo, além da velocidade, conseguimos ver a termologia ou estudo do calor." Monotonia, definitivamente, fica de fora das aulas desse professor.


