AUDIOVISUAL - Projeto revela as pequenas cidades
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terça-feira, 01 de fevereiro de 2005
Nelson Sato<br> Reportagem Local 
Uma paranaense foi selecionada pelo projeto ''Revelando os Brasis'', do Ministério da Cultura. Rosana Sales, 27 anos, é a única produtora cultural do Estado classificada no concurso nacional que garimpou histórias de anônimos do País para serem transformadas em vídeos de curta-metragem.
Ela é escritora, teatróloga e lojista em Jaguapitã (60 quilômetros de Londrina). Sua narrativa, intitulada ''Resgate de um Sonho'', foi uma das 40 contempladas dentre 417 trabalhos inscritos em várias regiões do País. ''Escrevi uma ficção mesclada com fatos reais'' conta.
O projeto ''Revelando os Brasis'' (www.culturagov.br) foi lançado em agosto do ano passado pelo ministro Gilberto Gil com o objetivo de estimular o interesse de moradores de pequenas cidades (até 20 mil habitantes) pela produção audiovisual. A proposta é integrar a esse segmento de criação comunidades que sempre permaneceram à margem do processo.
A proposta beneficia 4.023 municípios nunca antes contemplados com esse tipo de iniciativa. Os 40 vídeos digitais deverão ser concluídos até o dia 20 de fevereiro, quando serão apresentados nas cidades onde foram realizados e posteriormente exibidos na rede pública de televisão. ''Há ainda a possibilidade de inscrevê-los em festivais'' acrescenta Rosana, captou as primeiras imagens para seu filme no último final de semana.
A história que lhe garantiu a experiência de ''ser cineasta'' baseou-se na luta para resgatar um antigo prédio de Jaguapitã. ''É um prédio histórico, que já abrigou um cinema e hoje serve de depósito para um mercado. Na década de 50, quando foi inaugurado, sua sala de exibição era considerada a segunda mais moderna do Paraná'' salienta.
Hoje, a edificação encontra-se deteriorada e abandonada. Nos últimos anos, porém, algumas pessoas vêm reivindicando sua restauração e sua transformação em prédio público e patrimônio histórico. ''Eu mesma iniciei um abaixo-assinado na cidade com esse objetivo'' diz. É essa saga que ela pretende retratar no vídeo, pensado originalmente para ser um documentário.
''Era a idéia inicial. Mas tive que mudar colocando um componente de ficção para dar um final feliz à história'' conta. Ela explica que a viabilização das produções selecionadas no projeto estão sendo articuladas pelo Instituto Marlin Azul, do Espírito Santo, em parceria com o Ministério da Cultura. O Instituto, por sua vez, recebeu a missão de contactar produtoras regionais em cada canto do País para fornecer equipamentos e toda a infra-estrutura aos artistas.
Em Jaguapitã, Rosana contará com o auxílio de uma produtora de Maringá e do Fórum Permanente de Desenvolvimento do Município. Além de roteirista, ela será a diretora do curta. ''Vou colocar em prática o que aprendi no curso'' anuncia, referindo-se a um curso de cinema realizado há poucos dias no Rio de Janeiro com amparo do Ministério da Cultura.
Será sua primeira incursão pelo audiovisual, ampliando seu currículo na cidade, onde atua como poeta, escritora (tem um romance e um livro de contos infantis à espera de publicação) e diretora do grupo de teatro Arte e Cultura (que se apresentou no mês passado no Teatro Filadéflia, em Londrina).


