Numa nova ofensiva para iniciar o debate sobre a Agência Nacional do Audiovisual (Ancinav) no Congresso Nacional, o governo realizou ontem um seminário no auditório Nereu Ramos, na Câmara Federal, com a participação de cerca de 120 pessoas. A iniciativa foi dos ministérios da Cultura e da Casa Civil da Presidência, além do Congresso Brasileiro de Cinema (CBC) e da Universidade de Brasília.
O secretário de Audiovisual do Ministério da Cultura, Orlando Senna, sustentou que a criação da Ancinav é necessária para que haja pleno acesso da população às novas tecnologias. O contrário a esse pleno acesso, disse Senna, seria uma espécie de ''barbárie cibernética''.
Dácia Ibiapina, diretora da Faculdade de Comunicação da Universidade de Brasília (UnB), destacou a importância da criação da agência para as universidades que têm cursos de cinema e defendeu que o audiovisual também é um setor crucial para estudantes de diversas disciplinas: artes, ciências sociais, história, antropologia, informática e medicina.
O presidente do Congresso Brasileiro de Cinema, Geraldo Moraes, argumentou que a legislação brasileira é defasada para acompanhar as mudanças tecnológicas. Ele conclamou os parlamentares a encamparem o projeto. ''Vamos saber se poderemos divulgar nossa cultura ou se seremos subjugados a interesses de alguns'', disse.
O CBC chegou dividido a Brasília. No dia 12, o setor de exibição anunciou sua saída da entidade, alegando ''clara dificuldade de fazer convergir os pontos de vista do setor de exibição com os interesses das inúmeras categorias representadas no CBC''. Deixaram o CBC a Feneec (Federação Nacional das Empresas Exibidoras Cinematográficas), o Sindicato dos Exibidores do Rio de Janeiro, a Abraplex (Associação Brasileira de Operadoras de Cinema Multiplex) e o Sindicato dos Exibidores do Rio Grande do Sul.
A saída dos exibidores foi considerada por alguns produtores e cineastas como uma tentativa de transformar o debate da Ancinav numa ''guerra ideológica'', já que o grupo que saiu não cogitou convocar uma assembléia extraordinária para discutir os rumos da questão.
Apesar do racha, ao menos um representante dos exibidores estava presente ao debate na Câmara, Bruno Wainer, do grupo Lumière. Valmir Fernandes, presidente da Abraplex, era esperado, mas não apareceu.

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