AUDIOVISUAL - Cinema para aproximar CULTURAS
PUBLICAÇÃO
domingo, 04 de novembro de 2007
Claudio Yuge<br>Equipe da Folha 
O cinema como forma de aproximar as diferentes culturas ao redor do globo. Essa é a proposta do cineasta francês Pascal Privet, organizador do Rancontres de Cinéma Manosque, prestigiado encontro independente francês, atualmente na 20 edição. Privet esteve em Curitiba para prestigiar e compor o júri do 2º Festival do Paraná de Cinema Brasileiro Latino, que aconteceu no Museu Oscar Niemeyer no começo de outubro.
Privet acredita na comunicação entre as pessoas por meio da sétima arte, ou da arte em geral, especialmente depois do tempo em que viveu em outra cultura, bastante diferente da francesa, no Oriente Médio. Com essa experiência, o cineasta tornou-se fã e especialista do tipo de cinema produzido naquela região.
Os filmes exibidos durante o festival na Mostra Cinema do Oriente, como ''Escritores nas Fronteiras'' e ''Nós e Outros: Retrato de Edward Said'', foram todos indicados por Privet. ''Propus alguns filmes serem vistos em festivais porque conheço bem esses filmes e os diretores. Eles falam do encontro das pessoas com culturas diferentes, são bem feitos, tanto os documentários quanto os de ficção e todos têm uma reflexão política sobre o mundo'', explica.
Sobre o encontro realizado sob sua curadoria na França, o Rancontres de Cinéma Manosque, Privet afirma que o objetivo principal é a aproximar as pessoas em torno de uma opção alternativa de cinema. ''Esse encontro acontece há 20 anos e comecei a organizá-lo porque queria reunir filmes que normalmente não consigo ver no cinema ou na tevê. São obras de arte e o cinema é uma forma interessante de aproximar as pessoas. E as pessoas que falo são pessoas próximas mas que não falam a mesma língua'', destaca.
De acordo com o cineasta, o encontro é mais do que uma reunião mas também uma forma de exercitar uma maneira diferente de observar o cinema. ''O cinema é uma união entre o cineasta e a imaginação. O que importa é a obra pronta e não se é documentário ou ficção. E esse encontro de cinema é um encontro de cineastas, daqueles que fazem coisas do real ou do imaginário.''
Privet não só foi júri do festival em Curitiba como também apresentou e debateu dois filmes seus, ''O Canto do Sanná'' e ''Musical Gazz'', produções que ilustram bem o resultado de seus estudos. O francês é formado profissionalmente como documentarista e Etnologia e Cinema. Por algum tempo, viveu nos desertos e montanhas do Sahara e do Iêmen. ''Acredito que a cultura do Iêmen é tão rica quanto a francesa ou a sua (brasileira). E desejo repartir esse conhecimento sobre essa cultura com os outros, porque as pessoas têm imagens de acontecimentos políticos no Iêmen mas não conhecem realmente a cultura de lá'', avalia.
Privet também elogiou as produções locais e nacionais exibidas durante o festival. ''É difícil eu falar sobre tudo porque vi poucos filmes. É óbvio que conheço mais as produções francesas do que as sul-americanas. O que posso dizer é que por aqui existem muitos jovens, que estão renovando o cinema. No último encontro que realizei tive filmes sul-americanos e tenho a plena convicção de que existem ótimas produções por aqui'', diz.
A noite de encerramento do festival premiou ''O Último Bandoneón'', do argentino Alejandro Saderman, com o Araucária de Ouro de Melhor Filme; e o carioca Evaldo Mocarzel, com ''Jardim Ângela'', com o de Melhor Diretor, ambos na categoria Longa-Metragem. Entre os curta-metragens, ''Vida Maria'', de Márcio Ramos''; e ''PAX'', de Paulo Munhoz, ficaram com Melhor Filme e Diretor, respectivamente. A mostra competitiva contou com 20 longas e 6 curtas.
Pascal Privet faz um balaço do resultado geral do festival. ''Conversei com os diretores e fiquei feliz com o que vi, são filmes interessantes. Os membros do júri também proporcionaram discussões muito interessantes.''


