Audiência garantida e de baixo custo
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terça-feira, 23 de abril de 2013
Márcio Maio TV Press 
Nem tudo que dá certo na tevê é novo. E isso não se resume apenas à ideia ou ao conceito. Em alguns casos, trazer ao ar a reapresentação de uma novela ou série de sucesso do passado pode render bons resultados de audiência. Tanto que já é uma tradição para algumas emissoras apostar em faixas de reprise principalmente no turno da tarde. E, pelo menos diante do cenário atual da televisão, a estratégia parece agradar às direções das tevês abertas e também fechadas. A Globo, por exemplo, já tem até um canal a cabo feito quase exclusivamente de reexibições de novelas, minisséries e programas de sua linha de shows, o Viva. "Nossa função é resgatar a memória afetiva do público e apresentar um conteúdo consagrado para novas gerações. É uma chance de reverem ou assistirem pela primeira vez a sucessos do passado", defende Letícia Muhana, diretora-geral do Viva.
Reaproveitar o passado é, de fato, um hábito antigo na Globo. Além da clássica faixa "Vale a Pena Ver de Novo", que reprisa novelas, a emissora aposta nessa ideia também há bastante tempo no "Vídeo Show". Antes, o quadro "Túnel do Tempo" relembrava o que estava no ar na mesma data, sendo que em anos distantes. Agora, o programa dedica um espaço considerável de sua semana a relembrar uma novela de sucesso, chegando a entrevistar nomes de peso da produção. E, recentemente, estreou um quadro de Renato Aragão cujo objetivo é reexibir velhas esquetes de "Os Trapalhões". "É emocionante ver que fãs daquela época querem recordar o que foi feito. E ainda mais perceber que, agora, desejam que seus filhos e netos possam se divertir também com a gente", comemora Renato.
Reprisar sucessos anteriores tem sido uma opção rentável também para o SBT. E não apenas com a reapresentação de produções próprias. A emissora de Sílvio Santos vem conquistando a vice-liderança quase que diariamente na hora em que está no ar, pela quinta vez, a mexicana "A Usurpadora". A novela, protagonizada por Gabriela Spanic e Fernando Colunga, estreou em 1999, sendo reprisada em 2000, 2005, 2007 e agora, desde o ano passado, tendo seu final previsto para o próximo dia 3. "Até os filmes que são exibidos nesse horário são reprises. Não há porque mudar algo que já é hábito para o espectador", aponta Murilo Fraga, diretor de Planejamento de Programação. A Record, que disputa o segundo lugar entre os canais abertos com o SBT, desistiu, por enquanto, de investir em reprises.
A escolha do conteúdo a ser reprisado é, na maioria das vezes, feita a partir das manifestações de telespectadores e, é claro, relacionado à audiência conquistada na primeira exibição. Mas outros fatores influenciam essa decisão. Como, por exemplo, a qualidade do material. "Priorizamos conteúdos a partir de meados da década de 1980, pela qualidade técnica e visual. Porém, essa não é uma política obrigatória", diz Letícia Muhana, adiantando que o Viva reprisará, a partir de 8 de julho, a segunda versão de "Pecado Capital", escrita por Gloria Perez. Já o SBT assume que pauta sua programação de reprises em função do que a concorrente Globo exibe no "Vale a Pena Ver de Novo". "Se eles exibem uma novela de época, por exemplo, não há por que transmitirmos uma temática idêntica", aponta Murilo Fraga.
Para alguns canais abertos, o maior problema na hora de tentar apostar em reprises é a falta de conteúdo próprio para isso. A Rede TV!, por exemplo, leva ao ar nos finais de tarde e início da noite a reapresentação de "Betty, A Feia". A novela fez bastante sucesso em vários países do mundo, ganhando adaptações próprias em alguns deles. Inclusive no Brasil, produzida em parceria entre Televisa e Record, intitulada "Bela, A Feia". O próprio fato de a concorrente ter investido na versão nacional parece ter impulsionado a Rede TV!. "Muitos telespectadores se manifestam felizes por poder rever, mas também é grande a quantidade de pessoas que relata assistir pela primeira vez a novela", garante Andrea Dallevo, diretora de Aquisições e Novos Conteúdos da emissora. Chega a ser curioso que alguém com um cargo desses valorize as apostas em reprises. Mas Andrea é cautelosa na hora de defender ou criticar a prática. "É mais fácil, ao zapear a tevê, um telespectador se interessar por algo que já conhece e sabe que é bom do que por algo completamente novo. Mas é fundamental um equilíbrio entre o clássico e o inédito", frisa.


